Resultados de teste de colisão demonstram que falta proteção nos carros avaliados
Texto e Foto: Imprensa PROTESTE – Associação de Consumidores
Com a divulgação dos resultados dos testes de colisão de nove veículos de seis marcas, fabricados e vendidos na América Latina, foi lançado o Latin NCAP, Programa de Avaliação de Carros Novos na América Latina. Grandes fabricantes de automóveis foram postos à prova pelo programa independente de testes de colisão, pela primeira vez na América Latina e Caribe.
Para a PROTESTE Associação de Consumidores ficou evidente que ainda não há segurança veicular para motoristas e passageiros nos países latino-americanos. E baixo grau de proteção às crianças no banco de trás.
Neste primeiro teste de colisão, foram submetidos a um rigoroso processo de avaliação utilizando o conhecimento e a experiência de outros NCAP ‘New Car Assessment Programmes’ ao redor do mundo, os seguintes veículos: TOYOTA Corolla XEi; CHEVROLET Meriva GL Plus; FIAT Palio ELX 1.4 (com e sem airbags), VW Gol Trend 1.6 (com e sem airbags); Peugeot 207 Compact 5p 1.4 (com e sem airbags); Geely CK 1 1.3.
Mesmo os mais bem avaliados, com airbag, tiveram ressalvas em relação a riscos de lesões em motoristas e passageiros. Cada carro foi submetido a uma colisão frontal a 64 km/h contra um obstáculo deformável, que simulava outro automóvel.
Infelizmente, a segurança das crianças na América Latina não está tão desenvolvida como em outras partes do mundo. O cinto de segurança é pouco usado pelas crianças nesta região. Está provado que os sistemas de retenção para crianças podem salvar as suas e as vidas dos demais ocupantes o veículo.
O Latin NCAP aconselha os governos da América Latina e Caribe que o uso destes sistemas de retenção para crianças nos carros seja obrigatório e que sua qualidade técnica seja verificada.
Melhor e pior do teste
O Corolla recebeu a maior nota no teste: quatro estrelas na segurança para ocupantes adultos. Na avaliação são atribuídas “classificações de estrelas” com base no desempenho dos veículos em uma série de ensaios de colisão. O número máximo de estrelas é cinco.
A carroceria do Corolla se manteve estável durante o impacto frontal e o assoalho permaneceu íntegro. Cabeça e peito dos ocupantes tiveram boa proteção. Somente os joelhos ficaram expostos a lesões por ação de estruturas do painel. Houve falha na proteção da criança com três anos (a cabeça bateu nas costas do banco do motorista).
O pior desempenho foi do Geely CK1, de fabricação chinesa, que não é vendido no Brasil. Não obteve nenhuma estrela. Constatou-se risco muito elevado de lesões a todas as partes do corpo do motorista, que poderia até morrer. Para crianças, houve proteção adequada nas cadeirinhas, mas a carroceria muito fraca não absorve o impacto da colisão. A deformação da estrutura do carro é imensa, limitando a chance de sobrevivência do passageiro da frente.
O Geely avaliado não tinha airbag. Mas o risco detectado é tão grande que a presença de um airbag não faria diferença. E as cadeirinhas recomendadas pelos fabricantes não se encaixam perfeitamente ao carro.
Mais resultados
O Peugeot 207, mesmo no modelo que tem airbag, se mostrou incapaz de evitar que o peito do motorista atingisse o volante em caso de colisão frontal. Nem usando cinto de segurança o condutor ficaria a salvo: em caso de colisão frontal, os joelhos, as pernas e os pés poderiam ser lesionados pelos pedais, por estruturas perigosas no painel e por rupturas do assoalho.
Para piorar, a carroceria não consegue absorver impactos mais fortes. O modelo sem airbag, por sua vez, acarreta aos passageiros todas essas ameaças mais o alto risco de lesão na cabeça, o que pode causar problemas graves, inclusive a morte. E alto risco de vida para o motorista, devido ao dano causado pelo volante na cabeça do condutor.
Com ou sem airbag, o Peugeot 207 não é a opção mais segura para quem tem criança, uma vez que a carroceria não suporta a pressão do impacto.
Na avaliação do VW Gol e do Fiat Palio, dois carros muito populares no Brasil, os resultados foram bem parecidos. Nos modelos com airbag, ambos oferecem boa proteção para a cabeça. O Palio, porém, traz um risco médio de lesão no peito.
Em ambos os modelos, os joelhos também se mostraram vulneráveis à ação de estruturas perigosas do painel. E o Gol oferece, ainda, risco aos pés do motorista, devido à posição elevada dos pedais e à fraca estrutura do assoalho.
Nos modelos sem airbag dos dois carros, houve risco elevado de lesões na cabeça e no peito. Há, em ambos, alto risco de vida para o motorista, devido ao dano causado pelo volante na cabeça do condutor.
Quanto às crianças, os dois carros oferecem proteção adequada, mas as instruções de instalação são insuficientes, podendo colocar em risco a estabilidade das cadeirinhas.
No Chevrolet Meriva com airbag houve boa proteção de cabeça e peito. Estruturas do painel colocaram em risco os joelhos do motorista e do passageiro e as pernas do motorista. Falha na proteção da criança com três anos (a cabeça bateu nas costas do banco do motorista).
A PROTESTE defende a antecipação da obrigatoriedade de airbags frontais nos veículos novos brasileiros, prevista para 2014. E que os freios ABS também se tornem itens obrigatórios de segurança veicular. A expectativa da PROTESTE é que muitas vidas sejam poupadas com a inclusão desses itens de segurança. O resultado completo do teste está disponível no site da PROTESTE: WWW.proteste.org.br.
Entidade independente
A finalidade do Latin NCAP, a exemplo dos similares existentes em outros países, é testar e dar informações sobre a qualidade da segurança veicular em caso de acidentes para estimular os fabricantes a produzir carros com maior segurança e auxiliar na diminuição das despesas com saúde pública decorrentes de acidentes de trânsito.
Um grupo de entidades internacionais se juntou para criar o Latin NCAP. Os responsáveis por essa iniciativa são a Federação Internacional do Automóvel (FIA); a Fundação FIA, com seus membros para a América Latina; a Fundação Gonzalo Rodríguez (Uruguai), e a International Consumers Research and Testing (ICRT), organismo que congrega associações de consumidores de todo o mundo para a realização de testes comparativos.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apoiou o projeto nesta primeira etapa. A PROTESTE contribui com a iniciativa, ao lado de associações de consumidores de Argentina, Chile e Peru. E o Euro NCAP trabalha em conjunto, fornecendo todo o know-how necessário.
Para os consumidores, conhecer os resultados dos testes de colisão facilita a opção por veículos mais seguros. E quando a segurança se torna um argumento de compra, também estimula os fabricantes, que poderão utilizar os resultados dos testes em sua publicidade, como ocorre na Europa.
A América Latina tem um mercado automobilístico em rápido crescimento e fonte de produção de veículos que também convive com altos níveis de mortes e lesões graves em acidentes rodoviários. Latin NCAP é o primeiro programa independente a ser estabelecido em uma das regiões em rápido desenvolvimento do mundo, o que significa um grande passo histórico na disponibilidade de informação para o consumidor.
Atualmente, o programa NCAP existe na Ásia, Austrália, Europa, e Estados Unidos, e contribuiu significativamente para reduzir o nível de morte e lesões nas rodovias. É esperado que iniciativas como o Latin NCAP vão contribuir de forma significativa para a Década de Ação da ONU para a Segurança Rodoviária como parte de um programa mais amplo que poderia salvar cinco milhões de vidas nas estradas do mundo, se implementada com sucesso.
Depoimentos sobre Latin NCAP
Dirigentes do Latin NCAP comentaram o lançamento da organização.
Nani Rodrigues, secretária-executiva do Latin NCAP: “Estamos introduzindoLatin NCAP para a América Latina e o Caribe, porque nós queremos ver uma melhoria significativa na segurança de veículos em toda nossa região. O nosso maior objetivo é salvar a vida das pessoas. Estes resultados são apenas o começo e nós queremos que os fabricantes e os governos trabalhem em conjunto para elevar o padrão de segurança dos veículos e ajudar a realizar nossa missão”.
Carlos Macaya, presidente da FIA Foundation e presidente do Clube Automovil de Costa Rica: “O programa independente de crash ocorre pela primeira vez para a América Latina e no Caribe. Segui este projeto de perto a partir de uma longa experiência em outras partes do mundo nas quais NCAPs foram estabelecidos para fornecer dados conclusivos sobre a segurança dos condutores, passageiros e crianças. O desafio agora é desenvolver Latin NCAP para que possamos salvar milhares de vidas durante a Década de Ação da ONU para a Segurança Rodoviária”.
Michiel van Ratingen, secretário-geral da Euro NCAP: “Parabenizamos os parceiros Latin NCAP por dar esse passo importante para a América Latina e Caribe. O Latin NCAP não só contribuirá para elevar os padrões de segurança do carro e aumentar os níveis de proteção dada aos condutores, passageiros adultos e crianças, mas também ajudará a aumentar a tão necessária consciência pública sobre a importância dos transportes rodoviários mais seguros”.