A violência e o assédio contra motoristas de aplicativos no Brasil motivam discussões regulatórias em diferentes estados e municípios. O levantamento realizado pelo GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação mostra que 59,1% dos motoristas já sofreram algum tipo de violência ou assédio. Além disso, 32,8% afirmam se sentir inseguros na maior parte do tempo, enquanto apenas 3,4% relatam estar totalmente seguros.

Estados e municípios discutem regras para ampliar segurança no transporte

“Em relação à segurança, existe muito espaço para melhora. Há demandas antigas dos motoristas que as plataformas continuam sem atender, como a impossibilidade de ver a foto do passageiro e a falta de informações completas sobre corridas com paradas antes da aceitação. O GigU tem a ferramenta gratuita da Câmera Secreta, que transforma o telefone do usuário em uma câmera de segurança e garante uma contraprova de tudo o que acontece no seu ambiente de trabalho. Essa ferramenta já salvou muitos motoristas de injustiças. Nossos usuários fazem, em média, 600 mil gravações por mês com essa solução”, afirmou Luiz Gustavo Neves, CEO e cofundador da fintech.

Entre as medidas em análise, a obrigatoriedade de câmeras de segurança nos veículos é a principal proposta. O objetivo é registrar o interior das viagens e criar um mecanismo de prevenção e documentação em casos de assédio, furtos ou agressões. Atualmente, o uso de câmeras é voluntário. A 99 oferece equipamentos por meio de aluguel, enquanto a Uber permite gravações integradas ao aplicativo, mas sem acesso dos motoristas às imagens. Algumas soluções incluem visão noturna e sensores de movimento, mas a cobertura permanece desigual.

Salvador foi a primeira capital a tornar obrigatória a instalação de câmeras, prevendo reembolso para motoristas que arcarem com os custos. No Distrito Federal, a proposta determina que as gravações sejam armazenadas por 30 dias, com acesso restrito a autoridades como polícia e Ministério Público. Outros estados, como Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Mato Grosso e Alagoas, estudam medidas semelhantes, com diferenças em prazos, padrões técnicos e responsabilidades financeiras.

Violência atinge motoristas de aplicativos e impulsiona debate regulatório

Enquanto algumas cidades avançam em medidas compulsórias, outras optam por incentivar o uso voluntário. O debate segue em aberto, mas os números da pesquisa reforçam a urgência de soluções que aumentem a segurança de quem trabalha e utiliza o transporte por aplicativo.