O Estado de São Paulo registrou em 2025 uma queda de 11,43% nas ocorrências de roubo e furto de veículos em comparação com o ano anterior. Foram contabilizados 88.544 boletins de ocorrência, contra 99.968 em 2024, segundo dados do Boletim Tracker Fecap.
Campinas, Sorocaba e Diadema registram aumento de furtos

“De cada 10 veículos que desaparecem, oito são furtados e dois roubados, em média. Isso porque o furto é um delito com pena mais branda e não exige tanto preparo dos criminosos”, avaliou Erivaldo Vieira, pesquisador da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) responsável pelo estudo.
A redução foi mais expressiva nos roubos, que caíram 20,94%, passando de 20.860 para 16.489 casos. Já os furtos diminuíram 8,92%, de 79.108 para 72.055 registros. Automóveis e motocicletas foram os principais alvos, representando 88,7% das ocorrências.
Os utilitários se destacaram negativamente, com uma queda de apenas 2,9% no total de eventos. O furto desses veículos apresentou leve aumento de 0,22%, enquanto os roubos caíram 12,2%. Para Vitor Corrêa, gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, esse comportamento indica especialização criminosa. “Enquanto os crimes de oportunidade e os roubos mais violentos diminuem, uma modalidade criminosa mais técnica e direcionada ganha força. Um fenômeno diretamente ligado à transformação econômica e logística das áreas urbanas”, afirmou.
As dez maiores cidades do estado concentraram 69,01% das ocorrências, reforçando a hiperconcentração urbana. Campinas (+2,1%), Sorocaba (+5,4%) e Diadema (+2,5%) registraram aumento nos furtos, contrariando a tendência geral. Mauá (-20,7%), Santo André (-16,3%) e Guarulhos (-11,4%) apresentaram as maiores quedas proporcionais.
São Paulo registra queda nos roubos e furtos de veículos em 2025

Na capital, os crimes se distribuíram de forma mais homogênea. A Zona Leste se consolidou como epicentro dos furtos, com bairros como Vila Matilde e São Mateus registrando aumento. Já Santo Amaro, na Zona Sul, liderou as ocorrências em 2025, com crescimento de 14,72% nos furtos e queda de 34,95% nos roubos, sugerindo migração da atividade criminosa para delitos de menor risco.
Na periferia da Zona Sul, bairros como Grajaú e Campo Limpo concentraram os maiores números absolutos de roubos, indicando maior risco de confrontos violentos. A análise aponta que programas de monitoramento eletrônico, como o Smart Sampa, têm eficácia limitada em áreas periféricas, favorecendo deslocamento da criminalidade.
O estudo conclui que, apesar da queda geral, os padrões de crime contra veículos em São Paulo revelam dinâmicas distintas entre furtos e roubos, com concentração em grandes centros e especialização em segmentos como utilitários, diretamente impactados pelo crescimento do e-commerce e da logística urbana.





