A General Motors criou uma estrutura de compras de US$ 4,5 bilhões para proteger sua produção contra futuras interrupções no fornecimento de componentes. O acordo, divulgado permitirá que a Procura Auto Parts compre determinados itens diretamente de fornecedores e mantenha estoques considerados críticos.

Montadora muda gestão de peças críticas após crises globais de abastecimento

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A montadora procura reduzir riscos revelados durante crises recentes, quando falta de semicondutores e outros componentes interrompeu linhas de produção em diferentes países. O novo modelo transfere parte da gestão de estoques para uma empresa externa, enquanto bancos financiam as compras com garantias de pagamento oferecidas pela GM.

O acordo deverá vigorar por três anos e não detalha quais peças serão classificadas como críticas. A escolha pode envolver componentes cuja ausência seja capaz de interromper uma linha inteira, mesmo quando todos os demais sistemas necessários à montagem estejam disponíveis nas fábricas ou em fornecedores próximos.

A estratégia modifica uma lógica tradicional de estoques reduzidos, adotada durante décadas para diminuir capital parado. Eventos climáticos, ataques cibernéticos, conflitos e aumentos inesperados de demanda mostraram, entretanto, que eficiência financeira precisa ser equilibrada com disponibilidade suficiente para manter a produção em situações de ruptura.

Para fornecedores, o modelo pode alterar fluxos de pagamento e armazenamento sem necessariamente mudar o volume contratado. A empresa responsável pelo estoque comprará peças selecionadas e administrará sua disponibilidade, criando uma camada intermediária entre fabricantes de componentes e as unidades produtivas da montadora nos mercados atendidos.

GM cria fundo de US$ 4,5 bilhões para proteger produção

O movimento interessa à indústria brasileira porque grupos globais compartilham fornecedores, tecnologias e processos entre diferentes regiões. Uma política criada nos Estados Unidos pode influenciar critérios adotados em outras operações, especialmente quando o componente é utilizado em plataformas produzidas simultaneamente na América do Norte e na América do Sul.

A experiência da pandemia levou montadoras a mapear fornecedores além do primeiro nível da cadeia. Saber quem produz semicondutores, matérias-primas e subconjuntos permite identificar riscos antes que uma interrupção chegue à linha, criando alternativas de abastecimento e decisões de estoque para componentes com pouca possibilidade de substituição.

A estrutura de US$ 4,5 bilhões demonstra que resiliência passou a ter valor financeiro mensurável para a indústria automobilística global. O desafio será manter peças suficientes para enfrentar rupturas sem aumentar excessivamente os custos de estoque, armazenagem e capital ao longo dos próximos três anos previstos pelo acordo.