A indústria brasileira de reciclagem automotiva encerrou neste fim de semana a quinta edição do ReciclaAuto, realizada em São Paulo nos dias 14 e 15 de agosto. O encontro reuniu desmontadores, empresas, autoridades e especialistas para discutir reaproveitamento de peças, rastreabilidade, reciclagem e destinação dos veículos em fim de vida.
ReciclaAuto coloca peças rastreáveis, desmontagem e economia circular no debate brasileiro

A discussão ganha espaço porque desmontar um automóvel de forma controlada permite separar peças que ainda podem ser utilizadas dos materiais destinados à reciclagem. A cadeia envolve aço, alumínio, plástico, cobre, fluidos e componentes que precisam seguir procedimentos próprios antes de retornar ao mercado ou às indústrias.
A Stellantis apresentou durante o evento a operação da Circular Autopeças, que utiliza um centro de desmontagem instalado em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo. A empresa também colocou em funcionamento um comércio eletrônico próprio para ampliar a distribuição de componentes recuperados e identificados dentro do sistema.
O centro de Osasco já havia desmontado mil veículos e recuperado 740 toneladas de materiais durante seus primeiros meses de funcionamento. Nesse período, mais de oito mil peças retornaram ao mercado de reposição, enquanto aço, alumínio, plástico, cobre e fluidos seguiram para processos específicos de reaproveitamento.
A rastreabilidade representa uma diferença entre desmontagem organizada e comércio irregular. Identificar a origem do componente ajuda oficinas e consumidores a saber de qual veículo a peça foi retirada, enquanto os procedimentos de avaliação determinam quais itens possuem condições técnicas para retornar ao mercado de reposição automotiva.
Reciclagem automotiva transforma carro usado em nova cadeia
O crescimento desse modelo também cria uma alternativa para peças que deixam de ser produzidas ou possuem custo elevado quando novas. O reaproveitamento, entretanto, precisa respeitar as restrições existentes para componentes relacionados à segurança e as normas aplicadas ao desmonte, armazenamento, comercialização e destinação dos materiais automotivos.
A economia circular modifica ainda a relação das montadoras com o veículo depois de anos de utilização. Em vez de terminar no descarte, o ciclo pode continuar por meio de reparação, recondicionamento, reutilização e reciclagem, conceitos utilizados pela Stellantis em sua estratégia para esse segmento no Brasil.
A edição de 2026 do ReciclaAuto mostra que o fim da vida de um automóvel está se tornando também uma atividade industrial. O desenvolvimento dessa cadeia dependerá de fiscalização, rastreabilidade, participação das empresas e capacidade de transformar veículos retirados de circulação em peças e matérias-primas novamente aproveitáveis.






