A indústria automobilística ampliou a atenção à cibersegurança conforme automóveis passaram a gerar, armazenar e transmitir volumes maiores de informações. Sistemas conectados, aplicativos e recursos de localização transformaram dados em parte do funcionamento dos veículos e criaram novas responsabilidades para fabricantes, fornecedores e prestadores de serviços digitais.

Dados, localização e atualizações de software ampliam responsabilidades da indústria

Foto: Pexels-Dan Nelson

O automóvel conectado pode registrar informações sobre deslocamentos, funcionamento de componentes e utilização de determinados sistemas. Esses dados auxiliam manutenção, navegação e desenvolvimento de serviços, mas também exigem mecanismos que controlem armazenamento, transmissão e acesso durante toda a relação entre veículo, usuário e empresas responsáveis.

A geolocalização ocupa uma posição específica nessa discussão porque permite identificar rotas e locais frequentados. Recomendações sobre privacidade de veículos conectados publicadas nesta semana na Europa mostram como autoridades passaram a acompanhar esse tema conforme automóveis incorporam recursos que dependem da coleta contínua de informações.

Para fabricantes, segurança digital começa durante o desenvolvimento. Sistemas precisam ser projetados considerando possíveis acessos externos, atualizações posteriores e integração entre diferentes módulos eletrônicos, porque uma vulnerabilidade pode permanecer no veículo durante anos caso não exista uma estrutura capaz de identificar e corrigir problemas.

Atualizações remotas acrescentam outra camada ao processo. Elas permitem corrigir software sem levar o veículo à concessionária, mas exigem autenticação e proteção da comunicação para impedir que arquivos modificados sejam instalados. Assim, manutenção automotiva passa a envolver atividades que anteriormente estavam associadas principalmente à indústria de tecnologia.

Cibersegurança muda a forma de proteger os carros conectados

A cadeia de fornecedores participa do mesmo desafio. Um automóvel utiliza sistemas desenvolvidos por diferentes empresas, fazendo com que fabricantes precisem estabelecer padrões de segurança para componentes e softwares adquiridos externamente. A proteção depende, portanto, da integração entre todos os participantes responsáveis pela arquitetura eletrônica.

No Brasil, a discussão também encontra relação com a Lei Geral de Proteção de Dados. Informações capazes de identificar usuários precisam ser administradas considerando finalidade, segurança e direitos dos titulares, enquanto a expansão dos serviços conectados aumenta a quantidade de dados presentes no ecossistema automotivo.

A cibersegurança passa, dessa forma, a integrar o desenvolvimento dos veículos junto aos requisitos mecânicos e eletrônicos. Conforme software assume mais funções, proteger informações e sistemas torna-se parte da segurança do automóvel e continuará acompanhando a expansão da conectividade na indústria automobilística.