A indústria automobilística ampliou o uso de sistemas de cibersegurança à medida que automóveis conectados passaram a concentrar software, comunicação externa e atualizações digitais. Um estudo sobre o setor divulgado neste mês projeta expansão desse mercado até 2031, acompanhando a presença crescente de veículos definidos por software.

Software amplia funções dos veículos e também muda proteção contra ataques digitais

Foto: Pexels-I’m Zion

A transformação ocorre porque automóveis atuais deixaram de utilizar eletrônica apenas para controlar componentes isolados. Sistemas de entretenimento, assistência ao motorista, conectividade, aplicativos, diagnóstico e gerenciamento da propulsão compartilham informações, criando uma arquitetura digital que precisa controlar quais dispositivos e usuários podem acessar determinadas funções.

Soluções baseadas em software responderam por aproximadamente 40,55% da receita do mercado de cibersegurança automotiva em 2025, segundo o levantamento. Firewalls embarcados, proteção de firmware, detecção de intrusão e monitoramento centralizado estão entre os recursos incorporados progressivamente às plataformas digitais dos veículos.

O crescimento das atualizações remotas acrescentou outra dimensão ao tema. Fabricantes conseguem corrigir programas ou acrescentar funções sem levar necessariamente o veículo até uma oficina, mas precisam garantir que arquivos enviados aos automóveis tenham origem identificada e não tenham sido modificados durante o processo.

A segurança digital também começa durante o desenvolvimento do veículo. Fabricantes e fornecedores precisam avaliar componentes eletrônicos, protocolos de comunicação e sistemas externos antes do início da produção, porque uma vulnerabilidade identificada posteriormente pode alcançar milhares de unidades que compartilham a mesma arquitetura ou determinado módulo eletrônico.

Carro conectado transforma cibersegurança em item de engenharia

Essa mudança interfere também no mercado de reparação. Oficinas precisam acessar determinadas informações para realizar diagnósticos, enquanto fabricantes necessitam impedir conexões não autorizadas. Encontrar equilíbrio entre manutenção, proteção dos sistemas e acesso técnico tornou-se uma questão adicional na evolução dos veículos conectados e definidos por software.

Para o motorista, cibersegurança tende a permanecer menos visível do que freios, pneus ou airbags, embora faça parte da proteção do automóvel. Quanto maior a quantidade de sistemas conectados, maior será a necessidade de manter programas atualizados e controlar a comunicação entre veículo, fabricante e serviços externos.

A indústria automobilística passa, portanto, a administrar uma característica comum ao setor de tecnologia: um produto pode continuar recebendo alterações depois de sair da fábrica. Software transforma o ciclo de vida do automóvel e faz da cibersegurança uma atividade que acompanha o veículo durante sua utilização.