A BYD Brasil passou a oferecer sistemas residenciais de energia solar por meio de suas 233 concessionárias, ampliando a atuação da rede além da venda e manutenção de automóveis. A iniciativa disponibiliza os equipamentos também para consumidores que não possuem veículos da fabricante.

Rede passa a vender sistemas residenciais e aproxima automóvel, recarga e geração elétrica

Foto: Pexels-Kindel Media

A estratégia conecta duas atividades que ganharam relação com a expansão dos veículos elétricos: mobilidade e geração doméstica de energia. Um consumidor pode utilizar painéis fotovoltaicos para atender parte do consumo residencial e, quando possui automóvel elétrico, incorporar a recarga do veículo ao planejamento energético da residência.

A entrada das concessionárias nesse negócio também modifica sua função comercial. Redes automotivas tradicionalmente concentram venda, financiamento, seguro, acessórios e pós-venda. Ao incorporar energia solar, a loja passa a oferecer um serviço relacionado ao custo de utilização do veículo, mesmo quando o comprador do sistema não possui automóvel elétrico.

Para a BYD, a operação cria integração entre áreas nas quais o grupo já atua globalmente. A companhia produz veículos eletrificados, baterias e soluções ligadas à energia, permitindo combinar produtos que normalmente são comercializados por empresas diferentes dentro de uma estrutura de atendimento já distribuída pelo território brasileiro.

A relação entre geração solar e mobilidade elétrica depende, entretanto, do perfil de cada usuário. Consumo residencial, potência instalada, quantidade de quilômetros percorridos e horário de recarga interferem na economia possível, tornando necessário dimensionar o sistema conforme demanda energética e características do imóvel utilizado pelo consumidor.

BYD leva energia solar para dentro das concessionárias no Brasil

O movimento também amplia a disputa pelo relacionamento depois da compra. Uma concessionária que participa da instalação de soluções energéticas pode manter contato com o cliente em atividades que ultrapassam revisões e reparos, criando novas possibilidades de serviços associados à utilização cotidiana dos veículos eletrificados ao longo dos anos.

Para o mercado brasileiro, essa integração indica que a eletrificação está criando negócios ao redor do automóvel. Carregadores, geração distribuída, armazenamento de energia e serviços digitais passam a acompanhar os veículos, ampliando a cadeia econômica formada anteriormente principalmente por combustível, manutenção, peças, seguro e financiamento.

A entrada da energia solar nas concessionárias mostra como o varejo automotivo pode mudar com a eletrificação. O automóvel deixa de ser observado isoladamente e passa a integrar uma estrutura na qual geração, armazenamento e consumo de eletricidade também interferem na experiência e nos custos de propriedade.