A Stellantis ampliou seu catálogo de componentes remanufaturados por meio da unidade SUSTAINera. A iniciativa inclui baterias de alta tensão, transmissões eletrificadas de dupla embreagem, compressores elétricos e sensores de óxidos de nitrogênio destinados à manutenção de veículos que permanecem em circulação depois da garantia original.

Programa recupera baterias, transmissões, compressores e sensores automotivos

Foto: Pexels-Alex Tepetidis

A empresa disponibilizará baterias remanufaturadas para parte predominante dos modelos elétricos e híbridos plug-in de suas marcas. O programa procura recuperar conjuntos utilizados, substituir elementos necessários e validar o funcionamento conforme especificações técnicas antes de devolver cada componente ao mercado de reposição.

As transmissões eletrificadas de dupla embreagem passam por desmontagem, inspeção, substituição de peças, montagem e testes. Compressores elétricos recebem verificação dimensional, controle de vazamentos e ensaios de desempenho. O processo procura estabelecer condições conhecidas antes da instalação em outro veículo.

O catálogo também passa a incorporar um sensor de óxidos de nitrogênio desenvolvido com a Valeo. O componente mede gases do sistema de escapamento e participa do controle de emissões. A unidade remanufaturada recebe uma sonda nova e passa por calibração conforme procedimentos industriais.

A estratégia utiliza quatro etapas: remanufatura, reparação, reutilização e reciclagem. Segundo a fabricante, a remanufatura pode economizar até 80% das matérias-primas e reduzir em até 40% as emissões de dióxido de carbono diante da fabricação de um componente equivalente totalmente novo.

Componentes remanufaturados ampliam a vida útil dos veículos

O processo não deve ser confundido com a simples reutilização de uma peça retirada de outro automóvel. A remanufatura envolve critérios de inspeção, troca de elementos desgastados e testes. Garantia, rastreabilidade e especificações permitem identificar a origem e as condições do componente fornecido.

No Brasil, o programa pode influenciar a manutenção futura das marcas do grupo. A aplicação local dependerá de disponibilidade, logística reversa, treinamento profissional e regras para transporte, armazenamento e diagnóstico. A rede precisa ainda recolher os componentes substituídos para iniciar um novo ciclo.

A ampliação do catálogo indica que a economia circular passa a alcançar diferentes sistemas automotivos. O valor residual dos veículos dependerá do acesso a peças e assistência. Sem uma cadeia de reparação, falhas isoladas podem antecipar a retirada de automóveis que ainda possuem condições de utilização.