A Rolls-Royce apresentou o Phantom Hummingbird, encomenda particular baseada no Phantom Extended e desenvolvida pelo Private Office Dubai como homenagem de um cliente à esposa. O sedã inaugura o uso da concha de abalone na marchetaria de um automóvel da marca, aplicada com madrepérola para representar a plumagem de um beija-flor.
Encomenda particular exigiu nove meses de trabalho e seis testes de produção

“O mundo natural sempre foi uma fonte de inspiração para as encomendas Bespoke da Rolls-Royce, oferecendo formas e cores para nossos designers e artesãos interpretarem”, afirma Phil Fabre de la Grange, responsável pela divisão Bespoke da Rolls-Royce Motor Cars. Segundo o executivo, a adoção da concha criou desafios técnicos durante o projeto.
A escolha do material procurou reproduzir a mudança de tonalidade observada nas penas do beija-flor. A superfície interna da concha apresenta reflexos azul-esverdeados conforme a incidência da luz e o ângulo de observação. O efeito foi combinado à madrepérola nas duas mesas traseiras e no painel localizado entre os assentos posteriores.
Cada representação do pássaro utiliza 53 fragmentos, dos quais 18 formam as asas. O motivo botânico instalado no painel traseiro reúne outras 84 peças. Somadas as duas aves e a composição vegetal, as três áreas empregam 190 partes de madrepérola e abalone cortadas, ajustadas e assentadas individualmente.
O desenvolvimento consumiu mais de nove meses porque a concha de abalone é fina e pode quebrar durante o processamento. Designers, engenheiros e artesãos realizaram seis versões até encontrar uma técnica que permitisse reduzir a espessura, posicionar cada elemento na lâmina de madeira e aplicar o revestimento destinado à conservação.
Rolls-Royce desenvolve técnica inédita para o Phantom Hummingbird

Os fragmentos foram cortados a laser com dimensão 0,06 milímetro superior à medida definitiva. Essa diferença compensou a margem queimada pelo equipamento. Depois dessa etapa, cada borda foi ajustada manualmente até se encontrar com a peça vizinha sem deixar emendas visíveis, procedimento adotado principalmente na formação das asas.
A conclusão de cada mesa traseira e do painel central demandou mais oito horas após o corte e o encaixe dos componentes. A Rolls-Royce informa que a execução das três superfícies totalizou 45 horas. A madeira de freixo foi adotada como base, enquanto a bétula entrou nos motivos das mesas.
Toda a bétula utilizada veio de um único tronco, selecionado após análise do padrão dos veios. A cabine recebeu bancos de couro Creme Light, detalhes nas cores Moccasin e Tan, carpetes Seashell e teto Starlight, que utiliza pontos de iluminação para compor o revestimento superior do habitáculo.
Na carroceria, a parte inferior utiliza a cor Wildberry, enquanto a seção superior recebeu White Sands. Uma linha pintada à mão separa os dois tons e incorpora outro beija-flor ao longo da lateral. O desenho prolonga para o exterior o tema aplicado às superfícies de marchetaria da cabine.
O nome Hummingbird faz referência ao beija-flor e aos significados de alegria, resiliência e percepção da beleza associados ao animal pela marca. A Rolls-Royce não informou o valor da encomenda nem o período necessário para concluir o automóvel, mas classificou o projeto como o primeiro de sua história a utilizar abalone.







