A indústria automotiva brasileira amplia parcerias com empresas de tecnologia, instituições financeiras, seguradoras e universidades para desenvolver serviços associados aos veículos. O movimento foi discutido no ABX26, em São Paulo, diante do avanço da conectividade, do software, da inteligência artificial e da eletrificação.

Conectividade aproxima montadoras, seguradoras, bancos e empresas de tecnologia

Foto: Pexels-Nascimento Jr.

O automóvel conectado gera informações sobre deslocamento, manutenção, consumo e utilização. Esses dados podem apoiar serviços financeiros, seguros e manutenção preditiva, desde que as empresas definam consentimento, armazenamento, proteção e finalidade para cada informação registrada durante a circulação do veículo.

Seguradoras conseguem calcular produtos conforme o comportamento de condução, considerando fatores como distância percorrida, horários e acelerações. O modelo permite criar coberturas relacionadas ao uso, mas exige transparência para que o motorista compreenda quais dados alteram preço, condições e acesso ao serviço contratado.

Bancos e financeiras também avaliam novas formas de relacionamento. Assinaturas, locação, compartilhamento e pagamento por utilização complementam o financiamento tradicional. A mudança não elimina a propriedade, mas acrescenta alternativas para consumidores que preferem ajustar o veículo ao período ou à necessidade de deslocamento.

A atualização remota transforma o pós-venda porque determinadas correções podem ser instaladas sem visita à concessionária. Ao mesmo tempo, fabricantes precisam garantir que o programa recebido corresponda à configuração correta, preserve funções de segurança e possa ser revertido caso ocorra falha durante o procedimento.

Mobilidade transforma carro em plataforma de serviços

Universidades e centros de pesquisa participam desse ecossistema por meio de inteligência artificial, cibersegurança e testes. A colaboração permite que montadoras e fornecedores acessem conhecimento especializado, enquanto pesquisadores trabalham com situações industriais. O desafio está em transformar projetos experimentais em soluções aplicáveis à produção.

No Brasil, conectividade e serviços precisam considerar diferenças de cobertura, renda e infraestrutura. Um recurso dependente de comunicação permanente pode funcionar de forma distinta fora dos centros urbanos. As empresas devem prever operação parcial, armazenamento local e atualização posterior quando o veículo recuperar a conexão.

A mobilidade passa a combinar produto, financiamento, seguro, dados e manutenção em uma mesma relação com o usuário. O resultado dependerá da capacidade de integrar empresas sem retirar do consumidor o controle sobre suas informações, seus contratos e a escolha de onde utilizar ou reparar o veículo.