A TIER IV apresentou duas câmeras com campo de visão de 120 graus destinadas a sistemas de condução autônoma de nível 4. Os novos modelos ampliam a cobertura das áreas laterais e periféricas, permitindo que desenvolvedores reduzam pontos cegos sem instalar uma quantidade maior de sensores na carroceria.

Novos sensores procuram ampliar visão sem multiplicar equipamentos no veículo

Foto: TIER IV-Divulgação

Veículos autônomos precisam observar simultaneamente faixas, calçadas, cruzamentos e objetos próximos. Câmeras convencionais com visão mais estreita oferecem detalhes a distância, mas exigem unidades adicionais para cobrir o entorno. Lentes amplas captam áreas maiores, embora aumentem a distorção nas bordas da imagem.

O sistema de processamento precisa corrigir essa distorção e combinar as imagens com informações de radares e sensores a laser. Cada tecnologia possui limitações diferentes: câmeras interpretam cores e placas, radares medem distância e velocidade, enquanto lidar produz uma representação espacial do ambiente.

Reduzir o número de equipamentos pode diminuir custo, consumo elétrico e complexidade de instalação. Entretanto, menos sensores também criam dependência maior de cada unidade. Fabricantes precisam definir sobreposição suficiente para que uma câmera suja, bloqueada ou danificada não retire toda a visão de determinada área.

A classificação de nível 4 significa que o sistema pode dirigir sem intervenção humana dentro de condições definidas. A operação pode ser limitada a uma cidade, rota, velocidade ou clima. Fora desse domínio, o veículo precisa parar com segurança ou transferir a condução conforme o projeto.

Câmeras de 120 graus reduzem pontos cegos dos autônomos

As câmeras também exigem limpeza e controle térmico. Chuva, poeira, condensação, reflexos e luz direta alteram as imagens. Sistemas destinados a uso contínuo precisam detectar perda de visibilidade e informar ao programa que determinados dados não apresentam confiança suficiente para orientar uma decisão.

No Brasil, aplicações iniciais podem ocorrer em portos, minas, fábricas e centros logísticos. Esses ambientes possuem rotas controladas, mas apresentam poeira, lama e iluminação variável. A seleção dos sensores precisa considerar essas condições, não apenas o desempenho obtido em ruas organizadas ou pistas de testes.

As câmeras de 120 graus representam uma parte da arquitetura autônoma. O benefício dependerá do processamento, da instalação e das redundâncias utilizadas. Um campo visual maior contribui para a percepção, mas não elimina a necessidade de combinar sensores e validar respostas antes da operação sem motorista.