A Agência Nacional de Transportes Terrestres e a Infra S.A. integrarão dados e sistemas para implementar o Programa MelhorAR, destinado à redução das emissões no transporte rodoviário de cargas. O acordo procura apoiar decisões regulatórias com informações sobre veículos, operações e circulação nas estradas brasileiras.

ANTT e Infra S.A. integram sistemas para orientar o Programa MelhorAR

Foto: Pexels-Juliana Polizel

O transporte rodoviário movimenta a maior parcela das cargas nacionais e utiliza uma frota com diferentes idades, motores e padrões de emissões. Medir essa diversidade permite identificar onde renovação, manutenção ou mudança operacional pode produzir resultados maiores sem aplicar uma única solução a todo o setor.

A integração deverá reunir bases que hoje atendem finalidades distintas. Registros de transportadores, características dos veículos, rotas e informações de infraestrutura podem formar indicadores sobre utilização. O desafio será assegurar compatibilidade, atualização e critérios para evitar conclusões baseadas em registros incompletos.

Caminhões antigos não apresentam necessariamente a mesma emissão, pois manutenção, carga, percurso e combustível interferem no resultado. Da mesma forma, um veículo recente pode operar de maneira ineficiente. A regulação por evidências precisa combinar idade com condições reais de funcionamento e aplicação.

Os dados podem orientar programas de renovação da frota, mas financiamento e destinação dos veículos substituídos precisam acompanhar a medida. Retirar um caminhão de uma operação e transferi-lo para outra região apenas desloca as emissões, sem produzir necessariamente redução no conjunto nacional.

Dados vão medir emissões dos caminhões nas estradas brasileiras

Manutenção preventiva também participa do controle. Injeção, filtros, sistema de pós-tratamento, pneus e alinhamento interferem em consumo e emissões. Oficinas precisam de equipamentos e documentação para reparar tecnologias que se tornaram mais dependentes de sensores, centrais eletrônicas e diagnósticos digitais.

Biometano, biodiesel, eletricidade e hidrogênio podem atender aplicações diferentes, enquanto o diesel continuará presente em parte da frota. Informações operacionais ajudam a identificar onde cada alternativa encontra infraestrutura, autonomia e escala, evitando decisões desconectadas das rotas percorridas diariamente.

O Programa MelhorAR poderá transformar registros administrativos em instrumento ambiental, desde que os dados resultem em ações verificáveis. Transparência sobre métodos, metas e resultados será necessária para que transportadores, fabricantes e sociedade acompanhem como a política modifica emissões e eficiência do transporte de cargas.