A Deloitte divulgou a edição 2026 do Global Automotive Consumer Study, que revelou mudanças significativas nos hábitos de consumo de veículos no Brasil. O levantamento mostra que os brasileiros priorizam tecnologia, custo-benefício e segurança ao escolher um novo carro, mas apontam a infraestrutura de recarga como um dos principais obstáculos para a adoção de modelos elétricos.
Qualidade e desempenho são fatores mais valorizados na compra

“A mudança de comportamento do consumidor tem transformado e demandado novas soluções da indústria automotiva, com o surgimento de novas variáveis na hora de comprar ou trocar de carro, como a questão da recarga de veículos elétricos, autonomia, ciclo de vida das baterias e os atributos de tecnologia do automóvel. Com isso, a indústria precisa estar atenta e se antecipar às tendências, entregando soluções inovadoras e que atendam às necessidades dos consumidores”, afirmou Paulo de Tarso, sócio-líder da indústria de consumo da Deloitte.
O estudo contou com a participação de mais de 28 mil consumidores em 27 países, incluindo mil brasileiros. Entre os resultados, 37% dos entrevistados no Brasil apontaram preocupação com a infraestrutura de recarga, e 67% disseram não ter acesso a carregadores privados. Apesar do crescimento de quase 40% nos emplacamentos de híbridos e elétricos em 2025, segundo dados da Fenabrave, 51% dos brasileiros ainda pretendem adquirir veículos a combustão fóssil na próxima compra.
Qualidade (65%) e desempenho (56%) foram os fatores mais valorizados pelos consumidores nacionais, seguidos pelo preço (44%). A pesquisa também mostrou que os brasileiros são menos fiéis às marcas do que a média global: 53% afirmaram que seu carro anterior era de outra fabricante. Além disso, 52% disseram não se importar com a marca desde que o veículo atenda às suas necessidades.
As redes sociais e influenciadores digitais aparecem como a segunda principal fonte de informação para quem pretende comprar um carro, citadas por 44% dos entrevistados, atrás apenas das visitas às concessionárias (58%). Globalmente, as redes sociais ocupam posição menos relevante, ficando em quinto lugar.
Brasileiros priorizam tecnologia e custo-benefício na compra de veículos

A pesquisa também revelou maior receptividade dos brasileiros a veículos definidos por software e recursos digitais. Para 64% dos entrevistados, a utilidade desses automóveis é elevada, e 68% afirmaram que utilizariam recursos de personalização habilitados por inteligência artificial. Além disso, 76% consideram o ecossistema veicular tão ou mais importante que o do smartphone.
Segurança e monitoramento lideram a disposição de pagar por serviços conectados. No Brasil, 85% dos consumidores pagariam por rastreamento anti-furto e 81% por assistência emergencial. Apesar disso, 60% demonstraram preocupação com o compartilhamento de dados, especialmente de localização e câmeras internas.
O estudo evidencia que o consumidor brasileiro está mais atento à qualidade, desempenho e tecnologia, mas ainda enfrenta barreiras relacionadas à infraestrutura de recarga e à segurança digital. O cenário aponta para um mercado em transformação, no qual fabricantes e concessionárias precisam oferecer soluções que conciliem inovação, confiabilidade e mobilidade sustentável.