Depois de compartilhar minha experiência ao dirigir três modelos da linha BMW M no mesmo dia, chegou o momento de falar individualmente sobre cada um deles. M2, M3 Competition e M4 Competition proporcionaram experiências distintas ao volante, mesmo compartilhando a filosofia de desempenho da divisão BMW M. O primeiro desta série é o BMW M2, um cupê que, com preço a partir de R$ 686.950, reúne motor de seis cilindros em linha, 480 cavalos de potência e tração traseira.
Cupê de tração traseira estabelece uma relação direta entre motorista e automóvel

Entre os três carros que tive a oportunidade de conduzir, o M2 foi aquele que encerrou minha experiência naquele dia. Suas dimensões e a maneira como transmite as reações do conjunto estabelecem uma relação de proximidade entre motorista e automóvel. A potência está presente a cada movimento do acelerador, mas o que mais chama a atenção é a forma como o modelo responde aos comandos.
O motor M TwinPower Turbo de seis cilindros em linha e 3,0 litros entrega 480 cavalos e 600 Nm de torque. Associado à transmissão M Steptronic de oito velocidades, o conjunto permite acelerar de 0 a 100 km/h em 4 segundos. São números que ajudam a dimensionar a capacidade do M2, embora a ficha técnica, isoladamente, não consiga explicar todas as sensações proporcionadas pelo carro.
Na condução, cada comando produz uma resposta que chega ao motorista por diferentes caminhos. O acelerador exige atenção, a direção informa o que acontece entre os pneus e o piso e as dimensões do cupê contribuem para a percepção de controle. Não é necessário buscar velocidades incompatíveis com uma via pública para compreender sua proposta. Uma aceleração, uma retomada ou uma sequência de curvas já revela parte do trabalho desenvolvido pela divisão BMW M.
A tração traseira preserva uma característica associada à história dos automóveis de desempenho da marca. O conjunto trabalha com o Diferencial M Ativo, capaz de administrar a distribuição de força entre as rodas traseiras de acordo com as condições de condução. Suspensão, freios e sistemas eletrônicos complementam uma arquitetura desenvolvida para permitir que o motorista participe da experiência.
BMW M2 mostra como potência e controle se encontram ao volante
Visualmente, o M2 adota proporções próprias. A carroceria cupê de duas portas tem elementos específicos da divisão M, com entradas de ar dimensionadas para as necessidades do conjunto mecânico e soluções aerodinâmicas integradas ao desenho. As rodas têm 19 polegadas no eixo dianteiro e 20 polegadas no traseiro, configuração que também contribui para diferenciar o modelo.
No interior, a proposta continua por meio dos comandos voltados ao motorista, do volante M e das telas que concentram informações do veículo, navegação, conectividade e ajustes relacionados à condução. Os diferentes modos permitem modificar parâmetros e adaptar as respostas do carro às preferências de quem está ao volante.
Depois de também dirigir o M3 Competition e o M4 Competition, percebi que o M2 não pretende ser uma versão reduzida dos outros dois. Ele estabelece sua própria identidade. É menor, mantém o motor de seis cilindros, entrega 480 cavalos e coloca o motorista próximo de tudo aquilo que acontece durante a condução.
Talvez esteja justamente nessa proximidade um dos principais argumentos do BMW M2. Em um momento no qual os automóveis incorporam cada vez mais sistemas capazes de intermediar a relação com o motorista, o cupê preserva a sensação de participação. Há tecnologia, controles eletrônicos e possibilidades de configuração, mas o condutor continua sendo parte central da experiência.
O M2 foi o último dos três BMW M que dirigi naquele dia, mas é o primeiro desta série individual. E talvez essa seja uma boa maneira de começar: com um automóvel que mostra que 480 cavalos representam mais do que um número na ficha técnica quando existe uma estrada, um volante e alguém disposto a compreender aquilo que o carro tem para dizer.