A WEG e a Next desenvolveram no Brasil uma estação de recarga com potência total de 960 kW destinada principalmente a frotas de ônibus elétricos. A solução pode abastecer simultaneamente até 12 veículos e amplia a capacidade disponível para operações coletivas.

WEG e Next desenvolvem estação capaz de atender simultaneamente até 12 veículos

Foto: Pexels-Elijah O’Donnell

A infraestrutura foi apresentada em um momento no qual cidades e operadores discutem a ampliação das frotas eletrificadas. A introdução de ônibus movidos a bateria exige não apenas aquisição dos veículos, mas também carregadores, conexão elétrica, obras nas garagens e sistemas capazes de administrar a energia disponível.

Uma potência total de 960 kW não significa que cada ônibus receberá automaticamente esse valor. O sistema precisa distribuir a capacidade entre as posições utilizadas, respeitando os limites dos veículos, da instalação e da rede elétrica, além das prioridades definidas pelo operador durante cada período de carregamento.

A gestão da potência possui participação direta na operação. Ônibus que percorrem trajetos diferentes podem retornar às garagens em horários distintos e apresentar níveis variados de bateria, permitindo que o sistema direcione mais energia para determinados veículos e reduza a carga daqueles que permanecerão parados por mais tempo.

A ampliação da potência também coloca a infraestrutura elétrica das garagens no planejamento da mobilidade. Transformadores, cabos, proteção, medição e disponibilidade da distribuidora precisam ser dimensionados para suportar picos que não existiam quando as mesmas instalações atendiam exclusivamente veículos abastecidos com combustíveis líquidos.

Recarga de 960 kW amplia infraestrutura para ônibus elétricos

Para operadores, o cálculo precisa considerar o custo total da implantação. Um carregador de maior capacidade pode reduzir tempo e quantidade de equipamentos necessários, mas exige investimento na conexão elétrica. A comparação deve incluir também manutenção, demanda contratada, consumo de energia e disponibilidade diária da frota.

O desenvolvimento realizado por empresas com produção e engenharia no Brasil acrescenta uma etapa nacional à cadeia de eletrificação dos ônibus. Quanto maior a participação local nos carregadores, sistemas de gerenciamento, instalação e serviços, maior tende a ser a atividade gerada além da fabricação dos próprios veículos.

A estação de 960 kW demonstra que a transição do transporte coletivo depende de uma indústria paralela à dos ônibus. Veículo, rede elétrica, software e carregamento precisam evoluir conjuntamente para que a eletrificação alcance escala sem criar gargalos capazes de comprometer a disponibilidade necessária à operação diária.