Pesquisadores desenvolveram uma plataforma robótica destinada à desmontagem de baterias de veículos elétricos com apoio de visão computacional e inteligência artificial. O sistema identifica parafusos, porcas, barramentos e componentes antes de comandar uma ferramenta industrial responsável pela remoção dos elementos presentes no conjunto.

Projeto experimental identifica fixadores e componentes antes da remoção automatizada

Foto: Pexels-Pavel Danilyuk

A desmontagem permanece majoritariamente manual porque as baterias apresentam formatos, fixadores e arquiteturas diferentes. Mesmo conjuntos utilizados por uma mesma fabricante podem mudar entre gerações. Um robô programado apenas para uma sequência fixa encontra dificuldades quando posição, tamanho ou quantidade dos componentes varia.

A plataforma utiliza câmeras capazes de registrar profundidade e imagens do conjunto. Um modelo de detecção localiza os componentes visíveis e envia instruções ao braço robótico. A ferramenta então se posiciona para retirar fixadores sem depender de uma coordenada previamente programada para cada unidade.

Os pesquisadores compararam três estratégias. A programação baseada em posições ensinadas alcançou 97% de sucesso, enquanto a execução visual direta atingiu 57%. O método com correção contínua pela imagem registrou 83%, mas exigiu mais tempo para completar a retirada dos fixadores.

Os resultados mostram uma relação entre velocidade e adaptação. Uma sequência previamente ensinada funciona quando a bateria permanece igual ao modelo utilizado na programação. A visão computacional demora mais, mas pode ajustar a trajetória diante de diferenças encontradas durante a desmontagem.

Robô utiliza inteligência artificial para desmontar baterias

A segurança exige descarregar, isolar e avaliar a bateria antes da intervenção. Células danificadas podem aquecer ou manter tensão. O robô não elimina a necessidade de inspeção, ventilação, combate a incêndio e procedimentos destinados a proteger operadores e equipamentos presentes no local.

O Brasil precisará ampliar a desmontagem conforme veículos eletrificados chegarem ao fim da utilização. Automação pode ajudar empresas de reciclagem a processar volumes maiores, desde que fabricantes forneçam informações sobre arquitetura, fixadores, química, riscos e procedimentos de desenergização de cada conjunto.

A pesquisa indica que inteligência artificial pode flexibilizar a reciclagem, mas ainda não substitui automaticamente o trabalho humano. O avanço dependerá de reconhecimento confiável, ferramentas adaptáveis e padrões que permitam desmontar baterias sem danificar células ou materiais destinados à reutilização.