A Automechanika Frankfurt encerrou uma edição dedicada às mudanças no mercado de reposição. Fabricantes de componentes, distribuidores, oficinas e empresas de tecnologia discutiram reparação, diagnóstico, software, veículos eletrificados e formação profissional durante cinco dias de programação na Alemanha.
Feira mostra como eletrificação e software modificam oficinas e mercado de reposição

O evento reuniu mais de 4.500 expositores de aproximadamente 80 países. A variedade demonstra que o setor não termina quando o veículo deixa a fábrica. Peças, ferramentas, tintas, pneus, equipamentos, dados técnicos e serviços permanecem necessários durante todo o período de circulação.
A eletrificação altera parte dessa demanda, mas não elimina manutenção. Sistemas de freios, suspensão, direção, pneus, climatização e carroceria continuam sujeitos a desgaste ou danos. Baterias, motores elétricos e circuitos de alta tensão acrescentam procedimentos de isolamento, diagnóstico e segurança para os profissionais responsáveis.
Veículos definidos por software criam outra relação com as oficinas. Uma falha pode envolver código, comunicação entre módulos ou atualização, além da peça física. Reparadores precisam acessar informações técnicas e ferramentas sem comprometer proteção de dados, segurança cibernética e propriedade intelectual das fabricantes.
A calibração de sistemas de assistência apareceu entre os temas de treinamento. Câmeras e radares podem perder referência depois da troca de para-brisa, alinhamento ou reparo estrutural. O veículo poderá circular sem defeito aparente, embora a leitura dos sensores não corresponda à posição prevista pelo projeto.
Automechanika encerra edição com reparação e dados no centro
No Brasil, a frota possui idades e tecnologias diferentes. Oficinas atendem carburadores, injeção eletrônica, motores flexíveis, híbridos e elétricos. Essa diversidade exige formação contínua e escolha de equipamentos, pois nenhum estabelecimento consegue absorver todas as especialidades sem planejamento e investimento em capacitação.
O mercado independente também discute acesso aos dados gerados pelos veículos. Informações sobre falhas e manutenção podem orientar reparos, mas permanecem sob controle das plataformas das montadoras. Reguladores analisam como permitir concorrência sem abrir sistemas críticos a intervenções que comprometam segurança ou privacidade.
O encerramento da Automechanika indica que reparabilidade passou a integrar a transição tecnológica. Um veículo depende de atendimento por anos depois da comercialização. Componentes disponíveis, documentação, treinamento e ferramentas determinarão se novas tecnologias poderão permanecer em circulação sem elevar o tempo de imobilização.







