A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um projeto que obriga veículos novos a manter receptores de rádio AM. A decisão responde à retirada do equipamento por fabricantes que apontam interferência elétrica, custos e crescimento dos serviços digitais de áudio.

Projeto relaciona equipamento à comunicação durante emergências e interrupções de rede

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O texto seguirá para análise do Senado. Caso seja aprovado e sancionado, o Departamento de Transportes deverá estabelecer regras para aplicação. A exigência poderá ter prazo determinado, permitindo que o governo reavalie a necessidade diante de mudanças na comunicação e na tecnologia dos veículos.

Em motores elétricos e inversores, a comutação de corrente pode gerar interferência na faixa utilizada pelo rádio AM. Evitar ruídos exige filtros, blindagem, posicionamento dos cabos e ajustes eletrônicos. Fabricantes alegam que essas medidas acrescentam custo e complexidade ao desenvolvimento dos veículos.

Emissoras e órgãos de emergência defendem o AM porque o sinal alcança áreas extensas e pode continuar disponível quando internet e telefonia sofrem interrupções. Durante tempestades, incêndios ou outras ocorrências, autoridades utilizam transmissões para distribuir orientações sem depender de assinatura ou cadastro.

O debate também envolve hábitos dos consumidores. Centrais multimídia oferecem rádio digital, aplicativos e serviços de áudio, mas dependem de conexão, dados e compatibilidade. Um receptor convencional funciona sem conta e permite acesso imediato, embora apresente qualidade de som e variedade diferentes.

Congresso dos Estados Unidos quer manter rádio AM nos carros

Fabricantes precisarão adaptar produtos destinados ao mercado norte-americano se a lei avançar. Veículos globais podem receber equipamentos específicos conforme o país. Essa diferenciação aumenta a quantidade de versões eletrônicas e exige testes para garantir que o receptor não interfira em outros sistemas embarcados.

No Brasil, o rádio AM perdeu espaço após a migração de emissoras para FM, mas continua presente em determinadas regiões. O caso norte-americano mostra como tecnologias consideradas antigas podem permanecer relevantes quando cumprem funções de alcance, acesso público e comunicação durante emergências.

A discussão ultrapassa entretenimento. Ela procura definir se o veículo deve conservar um canal independente das redes digitais. A decisão final precisará equilibrar custo, interferência eletromagnética e utilidade pública, considerando que automóveis permanecem meios de comunicação durante deslocamentos e situações de risco.