A Pesquisa Viver nas Cidades registrou tempo médio diário de 2 horas e 5 minutos nos deslocamentos de moradores de dez capitais brasileiras em 2026. O resultado supera em nove minutos o levantamento de 2025 e mostra que usuários do transporte coletivo permanecem 2 horas e 17 minutos em trânsito, 30 minutos além daqueles que utilizam meios individuais.

Fortaleza lidera tempo de viagem, enquanto Porto Alegre tem a menor média

Foto: Pexels-lucas souza

O Instituto Cidades Sustentáveis e a Ipsos-Ipec ouviram 3.500 internautas com 16 anos ou mais, residentes há pelo menos dois anos nas capitais analisadas. As entrevistas ocorreram entre 1º e 20 de julho. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para a amostra total.

Quatro em cada dez participantes informaram gastar mais de 1 hora e 30 minutos por dia nos deslocamentos. Apenas 6% levam até meia hora. O tempo aumentou em oito das dez capitais pesquisadas, enquanto Manaus e Belém registraram reduções de três e 12 minutos, respectivamente.

Fortaleza apresentou a maior média, com 2 horas e 18 minutos, acréscimo de 20 minutos diante de 2025. O Rio de Janeiro atingiu 2 horas e 10 minutos. Recife e São Paulo chegaram a 2 horas e 7 minutos. Porto Alegre teve a menor média, com 1 hora e 37 minutos.

Ônibus, BRT ou Move formam o principal meio de transporte para 35% dos respondentes. O carro particular aparece com 18%. Automóveis de aplicativo, metrô e caminhada registraram 8% cada. No total, 54% utilizam meios coletivos como opção principal, enquanto 44% recorrem ao transporte individual.

Deslocamento diário supera duas horas em dez capitais

Entre os usuários de ônibus, BRT ou Move, 24% apontaram a lotação como o problema mais urgente e 20% indicaram o preço da passagem. As condições dos veículos receberam 12% das respostas. Segurança, pontualidade e frequência foram mencionadas por 10% dos participantes em cada categoria.

O custo da tarifa também interfere nas atividades realizadas pelos passageiros. Entre esses usuários, 63% afirmaram que sempre ou às vezes deixam de visitar amigos e familiares em outros bairros. A passagem limita atividades de lazer para 59%, consultas ou exames para 51%, procura por emprego para 44% e frequência escolar ou universitária para 33%.

Entre pessoas com renda de até dois salários mínimos, 69% reduzem visitas e 67% deixam de realizar atividades de lazer. Na procura por emprego, a restrição alcança 54% dos participantes de 16 a 24 anos e dos integrantes das classes D e E.

A percepção sobre tarifa zero depende das condições do serviço. Para 25%, a gratuidade poderia ser adotada com melhorias na qualidade e na frequência. Outros 22% associam a medida à ampliação do acesso e à redução da exclusão, enquanto 16% esperam redução no uso do carro, no trânsito e nas emissões.

A circulação a pé também apareceu no levantamento. Entre os participantes, 80% disseram sentir pouca ou nenhuma segurança ao atravessar ruas, caminhar pelas calçadas ou utilizar passarelas, pontes e viadutos. O índice chega a 85% entre mulheres e a 87% no Rio de Janeiro. Em Goiânia, 62% relataram essa percepção durante seus deslocamentos como pedestres.