A Alliance for Automotive Innovation solicitou ao Congresso dos Estados Unidos a aprovação de uma lei que proíba permanentemente veículos chineses conectados no país. A entidade representa fabricantes como General Motors, Ford, Toyota, Volkswagen, Hyundai, Honda e Stellantis e relaciona o pedido à segurança nacional.

Fabricantes alegam riscos relacionados a dados, software e segurança nacional

Foto: 逸蜂 吴

A proposta pretende transformar em lei restrições administrativas aplicadas a automóveis que utilizem determinados equipamentos ou programas desenvolvidos na China. As montadoras também querem impedir que o Departamento de Comércio conceda exceções para empresas como BYD, Chery e SAIC Motor durante a implementação das regras.

Veículos conectados registram localização, trajetos, imagens, comandos e informações sobre a utilização. Esses dados podem ser transmitidos para servidores, aplicativos e prestadores de serviços. O debate norte-americano procura definir quando a origem do fornecedor representa risco e quais componentes precisam ser substituídos.

A restrição não alcança somente veículos completos. Módulos de comunicação, processadores, câmeras e unidades eletrônicas podem integrar cadeias internacionais. Fabricantes instaladas nos Estados Unidos precisarão mapear fornecedores e comprovar a origem de hardware e software antes de comercializar modelos submetidos às novas exigências.

Um projeto bipartidário está em discussão no Senado, mas parlamentares avaliam efeitos não planejados. Empresas de outros países podem possuir acionistas chineses ou utilizar componentes fornecidos por grupos da China. Uma definição abrangente pode alcançar fabricantes que não eram o objetivo inicial da medida.

Montadoras pedem proibição de veículos chineses conectados

A China contestou a proposta e argumentou que seus mercados permanecem abertos às empresas estrangeiras. O conflito ultrapassa tarifas e preços porque alcança controle sobre dados, propriedade de software e atualizações remotas. As decisões podem reorganizar fornecedores durante os próximos anos.

No Brasil, veículos chineses conectados ampliam participação na frota e utilizam aplicativos, câmeras e serviços digitais. A discussão envolve a Lei Geral de Proteção de Dados, consentimento, armazenamento e acesso às informações. Consumidores precisam saber quais dados são coletados e para quais finalidades.

A eventual proibição norte-americana poderá fragmentar plataformas globais. Um mesmo modelo poderá receber eletrônica e software diferentes conforme o mercado. Essa separação aumenta custos de desenvolvimento, homologação e manutenção, além de exigir suporte para configurações que não compartilham integralmente os mesmos componentes.