A JATO iniciou a coleta de informações para seu padrão de dados automotivos de 2027, ampliando a classificação dos sistemas de condução. A mudança procura distinguir direção semiautomática, funções automatizadas e recursos que permitem retirar temporariamente mãos ou olhos da tarefa de conduzir.

Novo padrão diferencia sistemas que exigem olhos, mãos ou supervisão do motorista

Foto: Pexels-Shuaizhi Tian

A atualização responde ao aumento de denominações comerciais que não explicam diretamente os limites de cada sistema. Expressões utilizadas por fabricantes podem sugerir autonomia, embora o motorista continue responsável por observar a via, manter as mãos disponíveis ou assumir os controles quando solicitado.

A base deverá registrar separadamente operação com mãos no volante, condução sem contato contínuo e sistemas nos quais o motorista pode desviar a atenção em condições determinadas. Também incluirá modos de direção, telas, equipamentos de segurança, conforto e especificações publicadas oficialmente pelas fabricantes.

Essa organização ajuda consumidores, seguradoras, locadoras e empresas de análise a comparar veículos. Um automóvel pode controlar velocidade e trajetória, mas exigir supervisão integral. Outro pode assumir a condução em uma área limitada, desde que condições de via, clima e velocidade estejam dentro do domínio autorizado.

Dados incorretos podem criar expectativas incompatíveis com o funcionamento real. Se uma tabela apresenta um recurso como autônomo sem explicar a necessidade de supervisão, o motorista pode interpretar que o automóvel responde por situações não contempladas. A classificação precisa acompanhar software, sensores e regras de utilização.

Bancos de dados terão de separar assistência de direção autônoma

Atualizações remotas acrescentam outra dificuldade. Um veículo pode receber novas funções depois da venda ou perder temporariamente algum recurso por restrições regulatórias. Bancos de dados precisam registrar versão, mercado e data, evitando tratar toda a produção de um modelo como tecnicamente idêntica.

No Brasil, fichas técnicas nem sempre utilizam terminologia uniforme para assistência ao motorista. Frenagem automática, centralização em faixa, controle de cruzeiro adaptativo e condução semiautônoma aparecem em combinações distintas. Uma classificação comparável pode melhorar reportagens, cotações de seguro e avaliações de segurança.

O novo padrão mostra que a indústria precisa organizar não apenas componentes, mas capacidades digitais. Quanto mais funções forem determinadas por software, maior será a necessidade de explicar o que o sistema executa, em quais condições funciona e qual responsabilidade permanece com o motorista.