Uma fornecedora de baterias da General Motors prepara a produção em série de células com química rica em manganês, conhecidas como LMR. A tecnologia procura reduzir a dependência de metais de maior custo e atender veículos elétricos pesados, cuja autonomia exige conjuntos com capacidade superior à encontrada em automóveis urbanos.

Células LMR utilizam mais manganês para atender picapes e caminhões elétricos

Foto: Pexels-Maik Poblocki

As baterias LMR utilizam lítio, manganês e outros elementos em proporções desenvolvidas para equilibrar energia, custo e durabilidade. O manganês possui oferta diferente do níquel e do cobalto, mas a composição precisa controlar degradação, estabilidade térmica e perda de tensão durante a utilização.

Picapes e caminhões elétricos enfrentam uma relação direta entre carga e bateria. Aumentar capacidade amplia autonomia, porém acrescenta peso que também precisa ser transportado. Uma célula com maior energia por custo pode limitar o tamanho necessário sem tornar o conjunto incompatível com a operação comercial.

A fabricação em escala será o teste para a tecnologia. Resultados obtidos em laboratório não garantem repetibilidade nas linhas, onde pequenas variações de material, revestimento e temperatura alteram o desempenho. Controle industrial determina se milhões de células terão comportamento próximo durante anos de uso.

A recarga rápida representa outra exigência. Veículos de trabalho não podem permanecer parados por períodos extensos, mas potências elevadas aumentam calor e desgaste. O gerenciamento precisa ajustar corrente conforme temperatura, estado da bateria e necessidade da rota, preservando capacidade ao longo dos ciclos.

Nova química de bateria busca reduzir custo dos elétricos pesados

No Brasil, caminhões elétricos operam principalmente em distribuição urbana e aplicações com retorno à base. A química da bateria interfere no custo inicial, na carga útil e no planejamento da recarga. Soluções desenvolvidas no exterior precisarão ser validadas para clima, pavimento e utilização locais.

O mercado de usados também dependerá de informações sobre envelhecimento. Picapes e caminhões acumulam ciclos diferentes dos automóveis particulares. Relatórios sobre capacidade remanescente e histórico térmico podem determinar se a bateria continuará no veículo, receberá reparo ou seguirá para aplicação estacionária.

A tecnologia LMR amplia as alternativas além das químicas atualmente predominantes. Nenhuma composição atende todas as utilizações com o mesmo resultado. A escolha para veículos pesados dependerá da combinação entre autonomia, carga, recarga, durabilidade e custo total durante o período de operação.