O governo chinês estuda restringir telas de grandes dimensões e monitores dobráveis instalados nos automóveis. A proposta procura reduzir distrações e impedir que a disputa por interfaces transforme funções necessárias durante a condução em comandos difíceis de localizar, interpretar ou operar sem retirar os olhos da via.
Proposta regulatória coloca segurança e comandos físicos no centro do painel

As centrais passaram a reunir climatização, navegação, entretenimento e configurações antes distribuídas por botões. A concentração reduz peças físicas e facilita atualizações, mas obriga o motorista a navegar por menus. Uma tarefa simples pode exigir várias etapas, dependendo do software e da organização gráfica.
Telas maiores não garantem leitura melhor. Reflexos, movimento e excesso de informações podem dificultar a compreensão. Elementos próximos à linha de visão precisam apresentar tamanho, contraste e posição compatíveis com a condução, evitando animações ou notificações que concorram pela atenção em momentos inadequados.
Os monitores dobráveis acrescentam mecanismos, cabos e superfícies móveis ao painel. Além da ergonomia, fabricantes precisam avaliar durabilidade, colisões e funcionamento em diferentes temperaturas. Uma tela que muda de posição não pode criar bordas ou partes capazes de aumentar lesões durante um impacto.
Comandos físicos continuam oferecendo referências táteis. O motorista consegue localizar determinados controles sem olhar diretamente, desde que sua posição seja conhecida. Fabricantes começaram a reconsiderar a eliminação completa de botões para funções como ventilação, volume, pisca-alerta e desembaçamento do para-brisa.
China quer limitar supertelas dentro dos automóveis
A China possui o maior mercado automotivo e influencia o desenvolvimento de plataformas globais. Uma regulamentação local pode alcançar veículos exportados ou vendidos em outros países, pois manter um painel único reduz custos. Montadoras precisarão decidir se adotam o padrão chinês para toda a produção.
No Brasil, não existe discussão equivalente com o mesmo alcance, mas veículos importados já utilizam telas como principal interface. Avaliações de segurança e consumidores podem pressionar mudanças quando funções básicas exigem atenção excessiva ou ficam indisponíveis depois de falhas no sistema multimídia.
A proposta indica que a digitalização começa a receber limites ligados ao uso real. O painel continuará conectado e atualizável, porém a indústria terá de demonstrar que cada interface facilita a operação. A quantidade de polegadas deixa de ser argumento suficiente quando a atenção do motorista entra na avaliação.







