A Volkswagen Caminhões e Ônibus e empresas de transporte seguem em 2026 com testes de biodiesel B100 em operações reais para avaliar a possibilidade de reduzir emissões sem substituir imediatamente a frota a diesel. Um dos projetos, conduzido com a EcoRodovias, já superou 100 mil quilômetros e registrou disponibilidade operacional superior a 95% nos primeiros meses.

Projetos em operações reais acumulam dados sobre consumo, manutenção e disponibilidade

O B100 utiliza biodiesel em concentração integral, diferentemente do diesel comercial que recebe apenas uma parcela do combustível renovável.

Nos testes, caminhões executam atividades semelhantes às encontradas na rotina normal. Isso permite avaliar comportamento do motor, consumo, filtros, lubrificação e manutenção.

A EcoRodovias utiliza quatro veículos em serviços como guincho e apoio operacional no interior paulista. O projeto deverá continuar durante doze meses para reunir uma quantidade maior de dados.

Outro estudo envolve a Amaggi e um Volkswagen Meteor utilizado no transporte de grãos entre Mato Grosso e Pará. O veículo deve percorrer entre 8 mil e 10 mil quilômetros por mês durante o período de avaliação.

B100 avança em testes para descarbonizar caminhões brasileiros

A utilização de uma operação real é necessária porque condições de laboratório não reproduzem integralmente peso, relevo, temperatura, trânsito e tempo de funcionamento.

Para as transportadoras, a mudança de combustível precisa manter produtividade e previsibilidade. Um caminhão que apresente maior tempo parado pode eliminar parte do benefício ambiental obtido.

O Brasil possui uma cadeia de produção de biodiesel ligada principalmente ao agronegócio, condição que permite avaliar a utilização do B100 sem depender de uma nova tecnologia de veículo.

A aplicação em escala, porém, exige disponibilidade do combustível, garantia dos fabricantes, controle de qualidade e análise dos custos.

A descarbonização dos pesados deverá reunir diferentes soluções. Eletricidade, biometano, biodiesel e outras alternativas podem ocupar operações distintas.

Os testes com B100 procuram responder uma questão prática: quanto das emissões pode ser reduzido utilizando veículos e infraestrutura próximos dos que já existem.