O Brasil ampliou nos últimos anos os instrumentos destinados à produção de semicondutores e passou a incluir a cadeia automotiva entre os setores considerados estratégicos para esses componentes. O Programa Mover e iniciativas nacionais de eletrônica colocam chips utilizados em sensores, módulos e sistemas de potência entre os elementos necessários ao adensamento da indústria local.

Mover e programas industriais ampliam debate sobre produção nacional de chips para veículos

Um automóvel atual utiliza semicondutores em praticamente todos os principais sistemas eletrônicos.

Motor, transmissão, airbags, freios, multimídia, conectividade e assistência ao motorista dependem de controladores e sensores.

Nos elétricos e híbridos, essa participação aumenta com inversores, gerenciamento de bateria e eletrônica de potência.

A crise global de chips durante a pandemia mostrou como a falta de um componente de pequeno tamanho pode interromper uma linha inteira de produção.

Semicondutores ganham peso na estratégia automotiva brasileira

Desde então, governos e empresas passaram a tratar semicondutores como uma questão de política industrial.

O Brasil ainda depende da importação da maior parte dos chips automotivos. Desenvolver capacidade nacional não significa produzir imediatamente os processadores mais avançados encontrados em computadores.

A indústria automotiva utiliza também componentes fabricados em processos maduros, destinados a funções específicas de controle.

Programas públicos procuram estimular pesquisa, encapsulamento, desenvolvimento e fabricação em áreas nas quais o País possui condições de construir escala.

Para as montadoras, a produção regional pode reduzir riscos de logística e exposição a disputas comerciais.

Fornecedores também ganham possibilidade de desenvolver módulos completos no País em vez de importar sistemas prontos.

O desafio envolve investimento elevado, equipamentos, propriedade intelectual e formação de profissionais.

Uma fábrica de semicondutores exige volume constante para operar de maneira competitiva.

Por isso, a demanda de automóveis precisa ser combinada com energia, telecomunicações e outros setores.

A discussão sobre chips mostra como o conceito de conteúdo nacional está mudando. No passado, nacionalizar significava motores, aço e componentes mecânicos. Hoje, eletrônica e software também determinam quanto valor tecnológico permanece dentro do País.