A Continental desenvolveu um pneu experimental com aproximadamente 43% de materiais reciclados no âmbito do projeto europeu ZEvRA. A iniciativa procura reduzir o uso de matérias-primas virgens e testar caminhos para incorporar resíduos de diferentes origens sem abandonar requisitos associados à utilização automotiva.

Projeto europeu utiliza resíduos industriais e matérias-primas renováveis na composição

Foto: Continental

O projeto reúne empresas e instituições responsáveis por materiais, componentes e processos destinados aos veículos de emissão zero. O pneu funciona como uma das aplicações avaliadas, permitindo verificar como borracha, aço, negro de carbono e outras matérias-primas recuperadas respondem durante a fabricação e os ensaios.

Um pneu reúne diferentes compostos porque cada região exerce determinada função. Banda de rodagem, laterais, carcaça, talões e cinturas precisam lidar com desgaste, deformação, temperatura, aderência e carga. A substituição de materiais exige avaliar o comportamento do conjunto, não apenas a origem de cada componente.

A utilização de conteúdo reciclado enfrenta variações de pureza e desempenho. Resíduos precisam ser separados, processados e classificados antes da aplicação industrial. Quando a composição muda entre lotes, fabricantes precisam ajustar formulações para manter características compatíveis com os parâmetros definidos durante o desenvolvimento.

O projeto também utiliza matérias-primas renováveis, ampliando a discussão para além da reciclagem. Óleos, resinas e fontes alternativas de borracha podem reduzir a dependência de recursos fósseis. Entretanto, a análise ambiental precisa considerar cultivo, processamento, transporte, consumo de energia e disponibilidade em escala.

Pneu experimental eleva participação de materiais reciclados

Foto: Continental

Pneus influenciam consumo de energia por meio da resistência ao rolamento. Nos veículos elétricos, esse fator interfere na autonomia, enquanto peso e torque exigem atenção à estrutura e ao desgaste. A adoção de materiais recuperados precisa permanecer compatível com essas condições de funcionamento.

O Brasil possui uma cadeia de coleta e destinação de pneus inservíveis, além de aplicações em coprocessamento e materiais derivados. Ampliar o retorno desses resíduos para novos pneus depende de processos capazes de preservar valor, controlar composição e fornecer matéria-prima nos volumes requeridos pela indústria.

O pneu experimental ainda representa uma etapa de desenvolvimento, e não a substituição imediata dos produtos convencionais. A evolução dependerá de testes, homologação, custo e capacidade produtiva. O projeto indica como a circularidade começa a alcançar componentes que combinam diferentes materiais e funções.