A Hyundai Motor e o sindicato sul-coreano alcançaram um acordo salarial preliminar nesta terça-feira, 25 de agosto, após paralisações iniciadas em julho. A negociação evitou novas perdas de produção e incorporou ao debate trabalhista os efeitos da inteligência artificial e da automação sobre os empregos industriais.
Negociação na Coreia do Sul prevê salários, contratações e debate sobre robôs

O entendimento ainda depende da aprovação dos trabalhadores em votação marcada para segunda-feira. A mobilização incluiu a primeira greve integral da Hyundai em uma década, realizada na sexta-feira anterior, além de interrupções parciais promovidas durante as semanas de negociação entre a empresa e seus empregados.
A proposta prevê aumento de 4,1% no salário-base, bônus de desempenho equivalente a quatro salários e pagamentos adicionais. O acordo também estabelece a contratação de 500 profissionais técnicos entre 2027 e 2028, enquanto a eventual ampliação da idade de aposentadoria dependerá de mudança na legislação sul-coreana.
A segurança dos empregos diante da inteligência artificial ocupou parte das negociações. Empresa e sindicato decidiram discutir os efeitos sobre o trabalho quando novos negócios e tecnologias forem implantados, criando uma etapa de consulta relacionada à transformação das fábricas e à distribuição futura das funções industriais.
A Hyundai controla a Boston Dynamics e planeja utilizar robôs humanoides em sua fábrica no Estado da Geórgia, nos Estados Unidos, a partir de 2028. A fabricante pretende posteriormente avaliar a adoção desses equipamentos em outras unidades, integrando robótica, produção e movimentação interna de componentes.
Acordo da Hyundai coloca automação no centro das relações de trabalho
A automação pode assumir atividades repetitivas, movimentação de cargas e operações realizadas em áreas de risco. Ao mesmo tempo, sua implantação exige profissionais para programação, integração, manutenção e análise de dados, modificando a composição das equipes sem eliminar a necessidade de qualificação técnica.
O caso interessa ao Brasil porque a indústria instalada no País também amplia o uso de robôs, sistemas conectados e inteligência artificial. Relações trabalhistas, formação profissional e produtividade deverão avançar conjuntamente para que novas tecnologias sejam incorporadas sem criar lacunas entre equipamentos disponíveis e trabalhadores preparados.
A votação definirá se o acordo encerrará o conflito atual. Independentemente do resultado, a negociação mostrou que salários e benefícios passaram a dividir espaço com automação e inteligência artificial nas relações industriais, antecipando discussões que deverão alcançar outras fabricantes e países nos próximos anos.






