O governo do Reino Unido solicitará à União Europeia a inclusão do país na política de compras denominada Made in Europe. A negociação procura impedir que fabricantes britânicos percam acesso a programas que poderão exigir até 70% de componentes europeus em determinados produtos beneficiados por contratos ou incentivos.

Regra de origem pode modificar fornecedores da indústria automotiva britânica

Foto: Pexels-Vincent Wei

A proposta integra o Industrial Accelerator Act, elaborado para fortalecer a produção regional e reduzir a dependência de fornecedores chineses. A definição da origem deverá influenciar automóveis, baterias, componentes eletrônicos, aço, alumínio e outros materiais utilizados por fábricas que operam em diferentes países europeus.

A indústria britânica mantém integração com o bloco mesmo depois do Brexit. Peças atravessam fronteiras antes da montagem final, enquanto veículos produzidos no Reino Unido são destinados aos países europeus. Excluir componentes britânicos dos percentuais exigidos pode diminuir sua utilização pelas fábricas instaladas no continente.

O comércio bilateral relacionado à indústria automotiva alcança aproximadamente 80 bilhões de euros, equivalentes a R$ 471,5 bilhões. Empresas e entidades setoriais argumentam que interromper cadeias existentes aumentaria custos e exigiria a substituição de fornecedores já homologados.

A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis apoia a inclusão britânica porque montadoras instaladas nas duas regiões compartilham plataformas e componentes. Uma regra restrita ao território da União Europeia poderia exigir adaptações específicas, ampliar controles de origem e reduzir a escala utilizada para negociar matérias-primas e peças.

Reino Unido busca participação na política de compras europeia

A negociação também alcança baterias para veículos elétricos. A origem das células, dos minerais e dos módulos determina acesso a diferentes programas industriais. Fabricantes precisam calcular o conteúdo regional antes de escolher uma fábrica ou definir de onde virão os componentes utilizados na montagem final.

Para o Brasil, a discussão mostra como políticas de conteúdo regional podem criar oportunidades ou barreiras para exportadores. Fornecedores brasileiros precisam conhecer regras de origem, rastrear materiais e demonstrar transformação industrial suficiente para que suas peças sejam reconhecidas pelos países compradores.

O resultado dependerá da negociação política entre Reino Unido e União Europeia. A inclusão preservaria parte da cadeia existente, enquanto a exclusão aceleraria mudanças de fornecimento. Em ambos os casos, montadoras precisarão revisar contratos antes que as novas exigências passem a determinar benefícios e compras públicas.