A Qualcomm estruturou no Japão uma iniciativa destinada ao desenvolvimento de robótica, inteligência artificial aplicada a máquinas e automação industrial. O programa inclui um centro de pesquisa que reunirá fabricantes, universidades e empresas de tecnologia para testar sistemas capazes de perceber o ambiente e executar tarefas físicas.

Centro japonês reunirá empresas, universidades e desenvolvedores de automação

Foto: Pexels-Tara Winstead

A Toyota participa do ecossistema organizado ao redor do projeto. A aproximação com a indústria automotiva ocorre porque fábricas já utilizam robôs em soldagem, pintura, movimentação e montagem, mas procuram equipamentos capazes de lidar com variações sem depender de programação específica para cada movimento.

A inteligência artificial física combina processadores, câmeras, sensores, motores e modelos computacionais. Diferentemente de um sistema limitado à análise de dados, o robô precisa transformar uma decisão em deslocamento ou contato, considerando pessoas, peças, ferramentas e mudanças existentes no local de trabalho.

Um dos objetivos é responder à redução da disponibilidade de trabalhadores em determinadas atividades japonesas. A automação pode assumir tarefas repetitivas ou realizadas em posições que causam desgaste, enquanto operadores acompanham equipamentos, corrigem exceções e executam processos que dependem de julgamento.

A implantação exige avaliação de segurança. Robôs móveis e equipamentos colaborativos dividem espaço com pessoas, fazendo com que velocidade, força, parada automática e delimitação da área sejam monitoradas. Um erro de percepção no ambiente físico possui consequências diferentes de uma resposta incorreta em um sistema administrativo.

Robótica aproxima inteligência artificial da linha automotiva

Fábricas automotivas oferecem escala para testar essas tecnologias, mas também apresentam exigências de repetibilidade e tempo de ciclo. Uma solução precisa executar milhares de movimentos sem variar o resultado, integrar-se à linha existente e permitir manutenção sem interromper períodos prolongados de produção.

No Brasil, robótica associada à inteligência artificial pode atender montadoras, fabricantes de autopeças, centros logísticos e oficinas industriais. A adoção dependerá do custo, da capacitação das equipes e da possibilidade de adaptar equipamentos a linhas que produzem diferentes versões e volumes.

O centro japonês aproxima semicondutores, software e manufatura. Essa integração indica que a competitividade industrial dependerá também da capacidade de transformar modelos de inteligência artificial em máquinas capazes de trabalhar dentro dos limites de qualidade e segurança das fábricas.