As oficinas mecânicas brasileiras incorporaram ferramentas digitais à emissão de notas, compra de peças, elaboração de orçamentos e comunicação com clientes, mas ainda distribuem essas tarefas entre plataformas sem integração. O cenário produz repetição de dados e interrupções no fluxo de trabalho, segundo avaliação da Pitz, startup mexicana presente no Brasil desde o início do ano.

Falta de integração provoca repetição de dados no atendimento e na administração

Foto: Pexels-Mike van Schoonderwalt

“As oficinas já possuem processos digitais na sua rotina, seja na emissão de notas, compra de peças, ou no contato com os clientes, mas cada etapa passa por uma plataforma ou serviço diferente, causando ruídos no fluxo de trabalho”, afirma Bruno Souza, chefe de marketing da Pitz.

A presença de computadores permanece concentrada nas funções administrativas, incluindo controle financeiro e emissão de ordens de serviço. No espaço de reparação, o telefone celular passou a reunir contato com proprietários, envio de orçamento, pesquisa de componentes, consulta de procedimentos e atualização das informações relacionadas ao veículo em atendimento.

“Nós reparamos que as funções administrativas, como as questões financeiras e emissão de ordens de serviço, ainda passam muito pelos desktops, mas o mecânico adaptou muito do seu trabalho para o mundo mobile”, diz Souza. O WhatsApp, segundo o executivo, participa do contato com clientes e da busca de soluções durante o serviço.

A comercialização de componentes também migrou para canais digitais. Marketplaces passaram a conectar oficinas e vendedores, mas nem sempre apresentam informações suficientes sobre aplicação, versão, ano e compatibilidade. A ausência desses dados pode dificultar a identificação da peça destinada a veículo e exigir consultas antes da compra.

Oficinas avançam no digital, mas enfrentam sistemas isolados

“Hoje os marketplaces já fazem parte do dia a dia dos vendedores e das oficinas, mas essas plataformas não foram pensadas para esse setor”, comenta Souza. Para o representante da Pitz, o comércio de autopeças exige ferramentas capazes de organizar detalhes relacionados aos produtos e aos modelos atendidos.

Nesse processo, a inteligência artificial começa a ser aplicada ao cadastro de veículos, diagnóstico, solicitação de peças e atualização do reparo para o cliente. A utilização depende de informações registradas pela oficina e da capacidade de integrar os dados administrativos, técnicos e comerciais em um histórico disponível aos profissionais.

O avanço digital observado no Brasil, em comparação com outros mercados latino-americanos acompanhados pela Pitz, não elimina a fragmentação. O desafio passa a ser conectar comunicação, ordens de serviço, finanças, peças e registros, mantendo recursos adequados tanto para os computadores da administração quanto para os celulares utilizados na área de reparação.