A montagem de veículos chineses pelos sistemas CKD e SKD respondeu por 123 mil das 173 mil unidades acrescentadas à produção brasileira entre janeiro e setembro. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, somente 50 mil unidades adicionais vieram de processos industriais locais considerados completos.
Montagem CKD e SKD responde pela maior parte do crescimento industrial

Os sistemas utilizam veículos enviados desmontados ou parcialmente montados para conclusão no Brasil. A profundidade do trabalho varia conforme fabricante e modelo. Algumas operações realizam apenas etapas finais, enquanto outras incorporam soldagem, pintura, componentes nacionais e processos destinados a ampliar gradualmente a participação da fábrica brasileira.
Nas estatísticas, os veículos concluídos por diferentes métodos recebem o mesmo tratamento dentro da produção nacional. Essa classificação permite acompanhar o total de unidades finalizadas, mas não revela quanto de cada automóvel foi fabricado no País, quantos fornecedores participaram ou qual volume de trabalho permaneceu localmente.
Entre janeiro e setembro, a indústria produziu 2,166 milhões de veículos, alta de 8,7%. A presença dos kits ajudou a ampliar o indicador, enquanto a demanda interna cresceu em ritmo superior. O contraste aparece também na elevação das importações e na redução das exportações brasileiras para mercados regionais.
A montagem por kits pode representar uma etapa inicial antes da nacionalização. Fabricantes recém-chegadas precisam treinar trabalhadores, ajustar equipamentos e compreender fornecedores. Entretanto, essa progressão não ocorre automaticamente. Ela depende de volume, contratos, engenharia, competitividade das peças brasileiras e compromissos assumidos por cada companhia.
Kits chineses alteram o retrato da produção brasileira
Para os fornecedores nacionais, o ponto central é o acesso aos novos programas. Bancos, pneus, vidros, plásticos, peças metálicas e sistemas elétricos podem ser incorporados gradualmente. Componentes de bateria, semicondutores e eletrônica possuem cadeias mais concentradas no exterior e exigem escala para justificar produção no Brasil.
As políticas industriais precisam diferenciar a montagem final da produção que reúne ferramentaria, componentes, engenharia e desenvolvimento local. O objetivo não deve impedir a entrada de novos fabricantes, mas estabelecer caminhos mensuráveis de integração. Metas progressivas podem acompanhar cada fase sem exigir nacionalização imediata de todos os sistemas.
A discussão influencia emprego, arrecadação e balança comercial. Uma unidade montada no Brasil pode gerar atividades locais, porém seu impacto depende das etapas realizadas. Tornar essas diferenças visíveis permitirá avaliar quanto o crescimento estatístico representa avanço industrial e quanto decorre da substituição do veículo pronto pelo kit importado.







