A Volvo Cars anunciou a redução de 2.500 postos de trabalho e uma economia adicional equivalente a US$ 505 milhões após registrar prejuízo operacional ajustado de US$ 373 milhões no terceiro trimestre de 2026. A medida responde à queda de receitas, à pressão na China e aos efeitos de tarifas e incentivos nos Estados Unidos.

Empresa busca economizar US$ 505 milhões e reduzir despesas até 2027

Foto: Volvo Cars

“Continuamos operando em um ambiente muito difícil, com fortes desafios externos: desglobalização, hipercompetição e mudanças climáticas”, afirma Håkan Samuelsson, presidente e CEO da Volvo Cars. O plano busca reduzir o ponto de equilíbrio e melhorar o fluxo de caixa.

A receita trimestral ficou em US$ 6,75 bilhões, ante US$ 8,72 bilhões no mesmo período de 2025. Com participações e itens de comparabilidade, o prejuízo operacional alcançou aproximadamente US$ 565 milhões, contra lucro equivalente a US$ 646 milhões um ano antes.

A margem operacional passou de 7,4% para 8,4% negativos. Sem esses itens, a margem passou de 6,7% para 5,6% negativos. O fluxo de caixa livre foi negativo em aproximadamente US$ 898 milhões, mais que os US$ 434 milhões negativos registrados no terceiro trimestre anterior.

Na China, a receita caiu quase 50% com concorrência local e pressão sobre preços. Nos Estados Unidos, tarifas e a retirada de incentivos aos veículos eletrificados afetaram as margens. O resultado também incluiu uma reavaliação negativa de créditos CAFE equivalente a US$ 111 milhões e cerca de US$ 91 milhões referentes às perdas da Polestar.

Volvo Cars corta 2.500 postos após prejuízo de US$ 373 milhões

O ajuste de pessoal atingirá 2.000 posições na Suécia. A companhia pretende encerrar contratos de consultoria, utilizar a rotatividade natural e oferecer pacotes de desligamento. Os efeitos financeiros deverão aparecer até o fim de 2027, quando as despesas indiretas estarão quase 25% abaixo do nível de 2024.

“Precisamos reforçar nosso plano de recuperação com ações adicionais, reduzindo nosso ponto de equilíbrio e melhorando os fluxos de caixa para nos tornar mais resilientes”, acrescenta Samuelsson. A empresa reduzirá pesquisa e desenvolvimento, usará mais fornecedores comuns com a Geely e compartilhará componentes entre veículos.

A estrutura industrial deverá se concentrar em cinco fábricas dedicadas à Volvo. Para as unidades de Chengdu, na China, e Ghent, na Bélgica, a montadora avalia a montagem de veículos de outras marcas em conjunto com a Geely. Nos Estados Unidos, a produção do XC60 será localizada em Charleston no primeiro trimestre de 2027.

A resposta comercial inclui 13 veículos até o fim de 2030, com portfólios voltados à Europa, aos Estados Unidos e à China. Três serão revelados em 2027: um para o mercado europeu e dois desenvolvidos para a China. Dois modelos chineses entrarão em produção em 2027 com tecnologia local e sistemas de assistência.

Os eletrificados representaram 53% das vendas trimestrais, ante 46% em 2025. Os modelos somente elétricos avançaram de 22% para 32%, enquanto a participação desse tipo de propulsão chegou a 45% na Europa. O EX60 acumulou mais de 50 mil pedidos europeus, mas sua produção avança abaixo do planejamento devido à introdução da tecnologia que integra as células à carroceria.