A Mercopar aproximou pequenas e médias empresas de Ford, BMW, Hyundai, Renault Geely e fornecedores de primeiro nível durante mais de 200 reuniões individuais em Caxias do Sul. Os encontros permitiram apresentar produtos e processos diretamente aos responsáveis por compras das cadeias automotiva e aeroespacial.

Mercopar gera mais de 200 reuniões com fabricantes e sistemistas automotivos

Foto: Sebrae RS

As empresas compradoras selecionaram aproximadamente 50 participantes entre cerca de 200 inscritos em cada painel. A pré-seleção considerou perfil, capacidade e relação com as demandas apresentadas. O processo mostra que acessar uma montadora começa antes da reunião, por meio de documentação e compatibilidade industrial.

A Ford realizou 49 atendimentos, enquanto Hyundai recebeu 29 empresas, BMW conversou com 26 e Renault analisou 19 potenciais fornecedores. A participação de Benteler, Lear e Garrett ampliou possibilidades, porque pequenas indústrias nem sempre ingressam na cadeia vendendo diretamente à fabricante do veículo.

Sistemistas fornecem conjuntos completos e compram peças, materiais, ferramentas e serviços de outras empresas. Para um negócio de menor porte, atender esse nível da cadeia pode representar um caminho inicial. O contrato exige qualidade, prazo, rastreabilidade e capacidade de responder a mudanças de volume.

Todas as rodadas da feira somaram 10.633 reuniões, envolvendo 2.963 empresas vendedoras e 451 compradores. A organização contabilizou R$ 289,5 milhões em negócios. O valor inclui diferentes setores industriais e não significa que todos os contratos estejam concluídos ou relacionados ao segmento automotivo.

Pequenas indústrias encontram caminho até as montadoras

O ciclo de fornecimento pode durar meses ou anos. Depois do primeiro contato, a empresa passa por auditorias, desenvolvimento, amostras, testes e aprovação do processo produtivo. Investimentos realizados antes do contrato precisam ser dimensionados para evitar capacidade sem demanda confirmada pela compradora.

Tecnologia e preço não são os únicos critérios. Montadoras verificam situação financeira, gestão ambiental, cibersegurança e capacidade de manter fornecimento diante de falhas logísticas. Uma empresa competitiva pode ser rejeitada quando depende de uma única máquina, matéria-prima ou profissional sem alternativa operacional.

As reuniões da Mercopar mostram que o desenvolvimento da cadeia brasileira depende de conexão entre demanda e capacidade. O resultado será medido pelos projetos convertidos em fornecimento regular. Para pequenas indústrias, entrar no setor exige planejamento, mas pode abrir acesso a contratos e padrões internacionais.