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Coluna “Fernando Calmon”: Fastback destaca a Fiat no concorrido segmento de SUVs

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Texto: Fernando Calmon

Foto: Gerson Borini

Passaram-se quatro anos desde a apresentação no Salão do Automóvel de São Paulo do conceito Fiat Fastback. Mas agora a marca italiana, ao lado do Pulse lançado em outubro do ano passado, tem um novo produto bastante competitivo no segmento dos SUVs compactos. O Fastback apresenta estilo diferenciado e um desenho que se destaca dentro deste segmento como um SUV-cupê. O teto tem uma caída suave relativamente longa e as lanternas traseiras não precisam ser tão largas como no passado pela eficiência luminosa dos LEDs.

As portas, herdadas do Cronos, receberam um vinco ligando as maçanetas. As rodas de 18 pol. de diâmetro têm desenho próprio para cada uma das três versões: Audace, Impetus e Limited Edition Powered by Abarth (esta, na realidade, terá venda normal e não limitada como sugere o nome e nem preparação específica Abarth). Na frente a grade preta é imponente. Faróis são de LED e as luzes de rodagem diurna (DRL) têm função também de sinalização de mudança de direção, mas trocando para a cor âmbar.

A distância entre eixos de 2.533 mm, 12 mm maior que a do Cronos/Argo, oferece espaço bom para as pernas no banco traseiro. Neste só pessoas com mais de 1,80 m de altura roçam a cabeça no teto. O volume do porta-malas de 516 litros (referência VDA) é, de longe, o maior entre os SUV compactos, graças ao comprimento do SUV de 4.427 mm.

No interior destaques para console elevado, bancos exclusivos do modelo, número de porta-objetos, tela multimídia de até 10,1 pol. com espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, carregamento de celular por indução e freio eletromecânico com função de imobilização automática (auto-hold). Sistema de conexão com celular oferece mais de 30 funcionalidades, inclusive agendamento de serviços nas concessionárias.

Os motores são sempre turbos com caixas de câmbio automáticas. O de 1-litro, das versões de entrada e intermediária, entrega 125/130 cv e 20,4 m·kgf, com câmbio CVT de 7 marchas. A de topo, apesar da referência Abarth, tem as mesmas especificações já conhecidas do 1,3-litro (180/185 cv e 25,5 m·kgf), câmbio epicicloidal de 6 marchas. Aceleração de 0 a 100 km em 9,4 s. No entanto com o motor de 1,3 L é ainda mais rápido: 8,1 s. Entre os concorrentes estão T-Cross, Tracker, Creta e Duster, mas nenhum deles é SUV-cupê. Até o Jeep Renegade que tem proposta diferente, deverá perder vendas para o Fastback.

Hoje 36% de todas as vendas no mercado brasileiro são de SUVs, incluindo modelos importados de diferentes portes e propostas.

Todos os Fastback virão com 4 bolsas infláveis (2 frontais e 2 laterais com proteção para tórax e cabeça), controle de estabilidade e assistente de partida em rampas. Versão de topo acrescenta alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência e assistente de permanência em faixa de rolamento com correção de trajetória, entre outros.

Para enfrentar lombadas, valetas e estradas de terra, o Fastback tem bons ângulos de ataque (20,4°), vão livre entre-eixos (218 mm), altura mínima do solo (192 mm). Seu ponto fraco é o ângulo de saída (24,3°), o menor entre seus concorrentes.

Os preços (base nacional menos São Paulo que tem imposto maior) são competitivos: R$ 129.990 (Audace); R$ 139.990 (Impetus) e R$ 149.990 (Abarth). A Fiat estima em 35%, 40% e 25% o mix de vendas, respectivamente. Espera comercializar entre 2.500 e 3.000 unidades por mês.

IPI deverá ser cancelado na reforma tributária

O evento Automotive Business Experience (#ABX22), com foco nas discussões sobre alternativas para o futuro da indústria automobilística brasileira, reuniu em um único dia, 8/9, cerca de 2.500 profissionais e 100 palestrantes no São Paulo Expo. Depois de dois anos de interrupção, quando as palestras se realizaram apenas via internet, a forma presencial voltou a ter força sem deixar de lado a penetração e a conveniência do meio digital.

Para o encerramento do #ABX22 havia grande expectativa sobre o que tinha a dizer o ministro da Economia, Paulo Guedes. Afinal, naquele mesmo dia 8, a Mercedes-Benz anunciou que iniciará um processo de desverticalização de sua fábrica de caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo (SP), inaugurada em 26 de setembro de 1956, a primeira fora da Alemanha. No total serão dispensados 2.200 empregados e mais 1.400 com contratos temporários num processo de terceirização inevitável nesta reconfiguração mundial do setor.

Na cidade-berço da indústria já foram fechadas instalações da Ford e da Toyota. Em Jacareí (SP), a Caoa Chery encerrou as atividades, o mesmo ocorrendo com a fábrica da Ford em Camaçari (BA). Por outro lado, a chinesa GWM adquiriu as instalações de Iracemápolis (SP) onde a Mercedes-Benz desativou sua operação para automóveis em CKD (desmontados) em dezembro de 2020.

Paulo Guedes afirmou que “o IPI deveria se chamar ICPI, Imposto Contra Produtos Industrializados, pois ele destrói a indústria brasileira. A empresa nem começou a produzir e já está devendo”. E acrescentou que “a indústria brasileira não está e não estará em risco”. Dentro do contexto de uma reforma tributária há previsões de o IPI ser substituído por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Não há prazo, porém, para que as discussões políticas cheguem a bom termo.

O ministro também marcou posição sobre eletrificação no Brasil. Para ele, não se migra do carro de motor a combustão para o elétrico da noite para o dia. “A forma mais fácil e barata é passando pelo etanol”, disse.

Em um dos debates promovidos após as palestras, o diretor de Soluções de Energia e Renováveis da Raízen, Rafael Rebello, chamou atenção para que se encontrem convergências num trabalho conjunto. “As experiências vindas do exterior mostram que o sucesso no avanço dos carros elétricos se obtém quando os três principais participantes deste ecossistema caminham juntos na mesma direção: fabricantes, empresas de infraestrutura e de energia e governo”, resumiu.

Produção em agosto sem fábricas paradas

Apesar de obstáculos com o fornecimento de semicondutores e outros componentes, a indústria automobilística conseguiu pela primeira vez em 18 meses produzir sem interrupções em nenhuma fábrica, embora vários modelos tenham perdido provisoriamente funções nos sistemas de multimídia. Foram 237.961 unidades de veículos leves e pesados em agosto passado. O melhor resultado este ano é 43,9% superior a agosto de 2021. A projeção da Anfavea para 2022 de aumento de 4,1% ao final deste ano pode ser até um pouco superada. A entidade admitiu que o calendário de jogos da Copa do Mundo de Futebol talvez suprima alguns dias úteis que não possam ser compensados neste semestre.

Os resultados de produção têm se sustentado graças às exportações que subiram no acumulado do ano 32,2% em relação aos primeiros oito meses de 2021 e superaram níveis pré-pandemia. Isso se deve em parte à desvalorização do real frente ao dólar que ajuda a exportar mais. Com o crescimento da produção o estoque total nas fábricas e nas concessionárias subiu de 22 dias em julho para 24 em agosto, 40% abaixo do considerado normal.

Para o consumidor a subida dos juros e a exigência de valores maiores de entrada nos financiamentos (até 60% do preço à vista) vêm dificultando a compra do carro novo. A Anfavea já revisou para baixo o crescimento do mercado interno em 2022 sobre 2021. Agora prevê apenas 1% de avanço frente ao ano passado. Foi a segunda revisão para baixo em razão, principalmente, da inflação (agora em queda, mas ainda alta) e do cenário econômico mundial conturbado pelas consequências da guerra Rússia-Ucrânia.

Um sinal positivo é que as promoções com descontos voltaram não com a força de antes, porém suficientes para atrair alguns compradores. A produção, no entanto, ainda depende de um fluxo seguro de semicondutores cuja fabricação concentra-se em poucos países do sudeste asiático. Este cenário vai mudar, porém de forma lenta. Até o Brasil se movimenta para atrair alguma fábrica deste componente estratégico tanto para a indústria automobilística quanto a eletrônica.