Fabricantes de veículos dos Estados Unidos passaram a questionar propostas para revisão do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá por considerar que alterações nas regras de origem podem elevar os custos em bilhões de dólares. O debate ocorre antes da próxima etapa de renegociação do tratado.

Montadoras calculam impacto bilionário de mudanças nas regras de comércio regional

Foto: Pexels-Luke Miller

A indústria automotiva norte-americana opera por meio de uma cadeia integrada entre os três países. Motores, transmissões, componentes eletrônicos e peças estruturais podem cruzar fronteiras várias vezes antes que o veículo seja concluído, tornando qualquer mudança tarifária capaz de interferir na organização industrial existente atualmente.

Regras de origem determinam quanto do valor de um produto precisa ser produzido dentro da região para receber tratamento tarifário previsto no acordo. Quanto maior a exigência, maior pode ser a pressão para substituir fornecedores de países externos ou reorganizar etapas produtivas entre as fábricas participantes.

As montadoras argumentam que mudanças excessivas podem favorecer concorrentes que importam veículos pagando tarifas previsíveis em vez de administrar uma cadeia regional mais complexa. O governo norte-americano, por outro lado, busca aumentar a quantidade de componentes e empregos industriais localizados dentro dos Estados Unidos.

México ocupa posição central porque reúne fábricas de montadoras globais e uma cadeia de autopeças conectada diretamente aos Estados Unidos. Canadá participa de forma semelhante em determinados produtos, criando um sistema no qual decisões tomadas em um país afetam imediatamente a produção dos outros dois.

Acordo norte-americano preocupa fabricantes de veículos

O debate possui interesse para o Brasil porque fabricantes presentes na América do Norte também mantêm fábricas e fornecedores na América do Sul. Mudanças de capacidade, investimento ou origem de componentes podem modificar decisões globais e alterar a distribuição de projetos entre diferentes plantas industriais.

Uma revisão do acordo não produzirá impacto imediato enquanto as novas regras não forem definidas. Empresas, entretanto, precisam avaliar diferentes cenários com antecedência porque uma nova fábrica, linha de componentes ou contrato de fornecimento pode exigir vários anos entre decisão, preparação e início da produção.

A discussão mostra como o setor automotivo passou a depender de políticas comerciais tanto quanto de tecnologia e demanda. Para fabricantes globais, escolher onde produzir exige analisar mão de obra, fornecedores, logística e também regras tarifárias que podem mudar a competitividade de uma fábrica durante seu ciclo.