A Driventic desenvolve no Brasil, em parceria com uma montadora, um retarder elétrico destinado a um projeto de caminhões movidos a bateria. A iniciativa envolve equipes de engenharia brasileiras e alemãs e acompanha a eletrificação dos componentes de veículos pesados.

Driventic desenvolve no Brasil retarder elétrico integrado ao trem de força

Foto: Pexels-Gustavo Fring

O retarder é um sistema auxiliar de frenagem utilizado para controlar a velocidade e reduzir o trabalho dos freios de serviço, especialmente em descidas. A nova versão será integrada à arquitetura elétrica do caminhão, substituindo a lógica hidrodinâmica aplicada tradicionalmente nos sistemas usados em veículos a diesel.

O desenvolvimento mostra que eletrificar um caminhão não significa apenas substituir o motor de combustão por outro elétrico. Transmissão, frenagem, refrigeração, gerenciamento térmico, direção e sistemas auxiliares também precisam ser revistos para trabalhar com tensões, controles e estratégias de eficiência diferentes das arquiteturas convencionais atuais.

O projeto específico do retarder está em desenvolvimento há aproximadamente dois anos, dentro de uma colaboração mais longa com a montadora. A empresa pretende utilizar a experiência como base para oferecer posteriormente soluções semelhantes a outros fabricantes, ampliando a aplicação da tecnologia além do veículo inicialmente previsto.

Para fornecedores tradicionais, essa transição representa um desafio de investimento. Empresas precisam manter produtos destinados à frota a diesel enquanto criam componentes compatíveis com elétricos, híbridos e outras configurações, distribuindo recursos de engenharia entre mercados que podem evoluir em velocidades diferentes nos próximos anos globais.

Eletrificação muda também os sistemas de frenagem dos caminhões

A participação das equipes brasileiras também coloca engenharia local dentro de um desenvolvimento planejado para Brasil e Europa. Projetos desse tipo podem gerar conhecimento técnico no País, mas o impacto industrial dependerá da escolha futura do local de produção, dos fornecedores utilizados e do volume contratado.

O avanço dos caminhões elétricos cria demandas específicas relacionadas a peso, autonomia e operação. Sistemas auxiliares eficientes podem contribuir para reduzir consumo energético e desgaste de componentes, mas precisam demonstrar confiabilidade em rotas com carga elevada, longas descidas e utilização diária sob diferentes condições climáticas.

O retarder elétrico exemplifica uma etapa menos visível da eletrificação automotiva. Enquanto veículos completos concentram atenção do mercado, fornecedores precisam redesenhar sistemas que funcionaram durante décadas com arquiteturas mecânicas e hidráulicas, criando uma cadeia tecnológica ligada aos veículos comerciais de baixa emissão no mercado global.