A Royal Enfield colocou o Brasil entre os mercados considerados em sua estratégia de crescimento internacional enquanto administra a transição entre motocicletas com motores a combustão e projetos elétricos. A fabricante indiana relacionou nesta terça-feira a expansão brasileira à necessidade de ampliar sua presença fora da Índia e diversificar as regiões responsáveis por seu volume.

Fabricante de motocicletas relaciona expansão local à disputa entre combustão e eletrificação

Foto: Pexels-Vikas Lone

O movimento chama atenção para uma transformação do mercado brasileiro de duas rodas. Fabricantes indianas passaram a utilizar o País como destino de expansão e, em alguns casos, como base para montagem e desenvolvimento comercial na América Latina.

A estratégia exige mais do que importar motocicletas. Aumento de volume depende de concessionárias, peças, assistência técnica, treinamento e capacidade de distribuição.

O Brasil possui um mercado de motocicletas relacionado tanto ao deslocamento individual quanto ao trabalho. Essa combinação permite que diferentes cilindradas e propostas convivam dentro da mesma estrutura.

A eletrificação acrescenta outra decisão para os fabricantes. Diferentemente dos automóveis, motocicletas possuem limitações específicas relacionadas a espaço disponível para baterias, peso e custo.

Brasil ganha peso na estratégia global da Royal Enfield

Por isso, empresas precisam definir quando introduzir novas tecnologias sem comprometer a competitividade dos produtos atuais.

A Royal Enfield mantém investimentos em projetos elétricos por meio da Flying Flea, enquanto preserva sua operação com motores a combustão. A estratégia procura administrar simultaneamente os dois ciclos tecnológicos.

Para o Brasil, a expansão das fabricantes indianas aumenta a concorrência em um mercado historicamente concentrado em poucas marcas.

O movimento também pode ampliar a cadeia de fornecedores caso o volume justifique maior nacionalização. Montagem local permite reduzir parte dos custos logísticos, mas componentes importados continuam tendo peso na estrutura industrial.

A experiência brasileira poderá ainda servir para outros países latino-americanos que apresentam características semelhantes de utilização.

O crescimento da Royal Enfield mostra como a internacionalização da indústria indiana começa a alcançar com maior intensidade o mercado brasileiro. Depois da expansão das fabricantes chinesas entre os automóveis, empresas indianas aumentam sua participação na disputa pelo setor de duas rodas.