A BYD iniciou a comercialização do Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel em duas versões: GL, com preço de R$ 176.990,00, e GS, por R$ 199.990,00. O SUV médio eletrificado incorpora a quinta geração do sistema DM-i adaptado para funcionar com gasolina ou etanol, ampliando a liberdade de abastecimento para o consumidor brasileiro.
Avaliação inicial revelou avanços técnicos e novo posicionamento da linha

A principal novidade da linha está na combinação entre eletrificação e tecnologia Flex Fuel. O conjunto foi desenvolvido com a participação de engenheiros brasileiros, chineses e alemães para adaptar o sistema híbrido plug-in às características do mercado brasileiro. Segundo a fabricante, o resultado é o SUV médio com o menor consumo energético da categoria, conforme os índices do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV). O novo sistema DM-i 5.0 também amplia a autonomia, melhora a eficiência térmica do motor de ciclo Atkinson e mantém como proposta oferecer maior liberdade de escolha no momento do abastecimento.
Além da atualização mecânica, o Song Pro recebeu mudanças no design e no conteúdo tecnológico. A dianteira passa a adotar a identidade Dragon Face da família Dynasty, enquanto a cabine ganha novo painel integrado, quadro de instrumentos de 8,8 polegadas, central multimídia de 12,8 polegadas com Google Automotive Services, conectividade por Android Auto e Apple CarPlay sem fio, atualizações remotas OTA e pacote ampliado de assistências à condução. A versão GL passa a oferecer o pacote ADAS 2 desde a configuração de entrada, enquanto a GS acrescenta itens como teto solar panorâmico, carregador de celular por indução de 50 W, sensor de chuva, retrovisor interno fotocrômico e recursos adicionais de segurança.
Meu primeiro contato com o BYD Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel aconteceu durante a apresentação promovida pela marca em Sertãozinho, no interior paulista. Diferentemente de uma avaliação tradicional, realizada durante vários dias e em diferentes situações de uso, desta vez participei de um percurso de aproximadamente 18 quilômetros preparado para demonstrar as principais evoluções técnicas do modelo. Por isso, considero importante destacar que somente quando tiver a oportunidade de permanecer uma semana com o veículo será possível realizar uma análise mais completa sobre seu comportamento na cidade, na estrada, consumo e convivência diária.
Mesmo sendo um percurso relativamente curto, o roteiro permitiu identificar mudanças importantes. O trajeto combinou estradas asfaltadas com vias de terra bastante utilizadas por máquinas agrícolas dentro de áreas de cultivo de cana-de-açúcar. Foi justamente nesse cenário que a nova calibração da suspensão pôde ser percebida com maior clareza. O conjunto transmite com mais intensidade as irregularidades do piso ao motorista, porém controla melhor os movimentos da carroceria, reduzindo o balanço e proporcionando uma condução que transmite maior precisão ao volante.
BYD Song Pro Flex une tecnologia híbrida e combustível renovável

Outro aspecto que chamou minha atenção foi o isolamento acústico. Nos trechos asfaltados percorridos em velocidades mais elevadas, tornou-se praticamente impossível perceber quando o motor a combustão estava ligado ou desligado. Durante praticamente todo o percurso, o Song Pro permaneceu operando em modo totalmente elétrico, acionando o motor térmico apenas quando a aceleração era levada ao limite. Essa transição acontece de forma muito discreta e diferencia o modelo em relação a outros SUVs eletrificados que já tive oportunidade de avaliar.
Além do comportamento dinâmico, outro ponto importante da evolução do BYD Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel está no conjunto mecânico. O sistema DM-i 5.0 utiliza um motor 1,5 litro de ciclo Atkinson cuja eficiência térmica passou para 46,06%, índice superior ao da geração anterior. Sua função principal continua sendo gerar energia para a bateria Blade e atuar em apoio ao motor elétrico quando há maior demanda de potência. Na prática, isso se traduz em um conjunto que privilegia a eficiência energética sem abrir mão de desempenho, permitindo aceleração de 0 a 100 km/h em 8,8 segundos na versão GL e em 8,6 segundos na GS, ambas com velocidade máxima de 180 km/h.
A evolução também aparece na autonomia. Segundo a BYD, a versão GS pode alcançar até 1.105 quilômetros com gasolina pelo ciclo NEDC, enquanto a GL chega a 1.075 quilômetros. Quando abastecido com etanol, o alcance pode atingir até 805 quilômetros na GS e 775 quilômetros na GL. No modo exclusivamente elétrico, o alcance homologado pelo PBEV chega a 72 quilômetros na GS e 57 quilômetros na GL. Somam-se a isso a possibilidade de recarga em corrente alternada de 6,6 kW e a função Vehicle to Load (V2L), que permite utilizar a energia da bateria para alimentar equipamentos elétricos externos.
Embora essas especificações sejam relevantes, prefiro reservar uma análise mais aprofundada sobre consumo, autonomia real e convivência diária para uma futura avaliação de longa duração. O primeiro contato realizado em Sertãozinho cumpriu o papel de apresentar as principais evoluções técnicas do modelo, mas um período maior de utilização permitirá observar aspectos como comportamento em diferentes tipos de trânsito, eficiência em viagens longas, tempo de recarga e uso cotidiano dos recursos tecnológicos embarcados.
Ao concluir esse primeiro contato com o BYD Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel, destaco três pontos positivos. O primeiro é a evolução do sistema DM-i 5.0, que amplia a eficiência energética e oferece ao motorista a liberdade de abastecer com gasolina ou etanol. O segundo é o elevado nível de isolamento acústico, que torna praticamente imperceptível a transição entre o funcionamento elétrico e o motor a combustão. O terceiro é a atualização do pacote tecnológico e de segurança, ampliado em toda a linha. Como aspecto que considero importante observar em uma futura avaliação, fica justamente o comportamento do modelo durante um período mais longo de utilização, condição que permitirá analisar com maior propriedade consumo, autonomia e convivência diária em situações reais de uso.
Museu da Cana
A escolha do local para a apresentação também merece destaque. O lançamento aconteceu nas instalações do Museu da Cana, localizado na Fazenda Engenho Central, em Sertãozinho, espaço dedicado à preservação da história da cana-de-açúcar, da produção de açúcar e da evolução do etanol no Brasil.
Mais do que servir de cenário para a apresentação, o museu estabeleceu uma ligação direta entre o combustível renovável que faz parte da matriz energética brasileira e a proposta do Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel. Ao apresentar um SUV híbrido plug-in preparado para utilizar etanol justamente em um ambiente que preserva a trajetória desse combustível, a BYD reforçou a intenção de aproximar eletrificação e uma solução energética consolidada no país.
Essa relação entre tecnologia e história tornou a experiência ainda mais interessante. O Museu da Cana mostra como a produção sucroenergética acompanhou diferentes fases do desenvolvimento brasileiro e ajuda a compreender a importância do etanol para a mobilidade nacional. Nesse contexto, a chegada de um sistema híbrido plug-in desenvolvido para operar também com esse combustível representa um novo capítulo dessa evolução.
A combinação entre eletrificação e etanol deixa de ser apenas uma especificação técnica e passa a dialogar diretamente com a realidade do mercado brasileiro, reforçando o objetivo de ampliar as alternativas para quem busca veículos eletrificados.























