A indústria brasileira de ferramentaria passou a ocupar uma posição maior na política automotiva diante da necessidade de reduzir a dependência de moldes e equipamentos importados utilizados na produção de veículos. Documentos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam déficit acumulado de US$ 230,5 milhões no segmento entre 2022 e 2025 e relacionam essa dependência aos projetos de inovação previstos pelo Programa Mover.

Mover direciona investimentos para moldes e projetos usados na produção de veículos no Brasil

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Ferramentas industriais são utilizadas para produzir peças de carroceria, componentes plásticos e diferentes elementos empregados nas linhas de montagem.

Antes que uma montadora fabrique um veículo em escala, precisa desenvolver moldes e dispositivos capazes de repetir as dimensões estabelecidas pela engenharia.

Parte desses equipamentos é importada porque fornecedores internacionais possuem escala, tecnologia ou preços mais competitivos.

O problema aparece quando o País depende externamente de uma etapa necessária para iniciar novos projetos. Qualquer atraso logístico ou comercial pode interferir diretamente no cronograma de produção.

Ferramentaria nacional busca reduzir dependência das importações

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Programas ligados ao Mover já direcionaram mais de R$ 390 milhões à iniciativa Ferramentarias Brasileiras Mais Competitivas, segundo documentação do MDIC.

Entre os projetos estão desenvolvimento de novos materiais, manufatura aditiva e formação de profissionais.

O Senai também participa de uma iniciativa voltada à capacitação de projetistas de ferramentas utilizadas na estampagem de veículos.

Outro ponto é o preço do aço, uma das principais matérias-primas do segmento. A diferença entre custos nacionais e internacionais interfere na capacidade das empresas brasileiras de disputar contratos.

A política tarifária precisa considerar essa relação. Proteger o produto final sem garantir competitividade ao insumo pode gerar efeitos contrários aos pretendidos.

A chegada de novas montadoras aumenta a oportunidade para as ferramentarias, mas contratos somente serão nacionalizados se preço, prazo e qualidade atenderem aos projetos.

Desenvolver essa etapa da cadeia pode aumentar o conteúdo brasileiro dos veículos sem depender apenas de peças visíveis ou componentes finais.

A ferramentaria representa uma atividade de engenharia que começa antes da linha de montagem e influencia todo o ciclo industrial.