Uma pesquisa sobre o transporte público brasileiro reuniu mais de 10 mil respostas de usuários em 246 cidades e mostrou insatisfação com diferentes aspectos da operação. O levantamento da Prompt Consultoria e do Cittamobi inclui participantes de todas as regiões brasileiras.
Pesquisa aponta pontualidade, lotação e espera entre as principais reclamações

Seis de cada dez passageiros declararam insatisfação com os serviços utilizados, segundo o estudo. Falta de pontualidade apareceu em 34,1% das respostas, enquanto lotação e tempo de espera registraram 28,8% cada, indicando que a qualidade percebida depende tanto do veículo quanto da operação no período analisado.
Os resultados têm relação direta com a indústria de ônibus porque decisões de compra precisam considerar capacidade, intervalo, consumo e disponibilidade da frota. Um veículo novo não resolve sozinho problemas de frequência ou planejamento, mas pode reduzir falhas, ampliar capacidade e melhorar condições de acesso e conforto.
A pesquisa também oferece informações para operadores e gestores públicos definirem prioridades. Dados sobre espera, lotação e regularidade ajudam a identificar onde investimentos em frota, corredores, bilhetagem, tecnologia de monitoramento ou reorganização de linhas podem produzir maior efeito sobre a experiência dos passageiros nas operações.
Para fabricantes, a percepção do usuário influencia especificações dos ônibus. Capacidade de passageiros, climatização, acessibilidade, portas, informação a bordo e sistemas de monitoramento precisam ser definidos conforme as características de cada operação, evitando soluções desconectadas da demanda real encontrada nas cidades brasileiras atualmente no mercado.
Passageiros expõem gargalos do transporte público brasileiro
A digitalização pode reduzir parte das reclamações ao oferecer previsão de chegada, acompanhamento da frota e comunicação com passageiros. Entretanto, informação precisa depende de dados consistentes e de uma operação capaz de cumprir os horários planejados, condição que exige veículos disponíveis, motoristas e gestão adequada das linhas.
O estudo também reforça a relação entre financiamento e qualidade. Empresas com baixa capacidade de investimento tendem a prolongar a vida útil dos ônibus, aumentando gastos de manutenção e risco de indisponibilidade, enquanto contratos estáveis permitem planejar renovação, treinamento e adoção de tecnologias de forma gradual.
A insatisfação registrada mostra que mobilidade urbana não pode ser analisada apenas pela quantidade de ônibus em circulação. Qualidade depende da integração entre frota, infraestrutura, operação e informação, criando uma agenda que envolve indústria automobilística, empresas de transporte, municípios e usuários em todo o País.






