A indústria automobilística britânica alertou que a exclusão do Reino Unido de uma política europeia de conteúdo regional poderá afetar fábricas e fornecedores dos dois lados do Canal da Mancha. O estudo encomendado pelo setor estima que até 250 mil empregos estariam ligados às decisões sobre enquadramento produtivo.
Estudo avalia empregos ligados à integração automotiva entre Reino Unido e União Europeia

A proposta Made in Europe procura proteger a produção regional diante da concorrência chinesa. A definição dos países e componentes considerados europeus poderá determinar acesso a incentivos e contratos. Se peças britânicas forem excluídas, montadoras da União Europeia poderão procurar fornecedores instalados dentro do bloco.
Segundo o estudo da Oxford Economics, 69 mil dos empregos expostos estariam na Alemanha, França e Espanha, além de países da Europa Central e Oriental. O dado mostra que uma restrição direcionada ao Reino Unido pode alcançar empresas continentais que compram componentes ou participam de projetos compartilhados.
A cadeia automotiva distribui engenharia, motores, transmissões, baterias, bancos, sistemas eletrônicos e montagem entre diferentes países. Uma peça pode atravessar fronteiras várias vezes antes de chegar ao veículo. Por isso, regras de origem influenciam custos, prazos, documentação e decisões sobre localização de fornecedores.
A saída britânica da União Europeia acrescentou controles alfandegários e exigências administrativas a essa circulação. A nova discussão amplia o problema porque não trata apenas de tarifas, mas também da possibilidade de participar de programas industriais destinados a fortalecer a produção regional diante das importações.
Regras de origem voltam ao centro da indústria europeia
O tema possui paralelo com o Brasil, que integra uma cadeia automotiva regional com a Argentina e outros países. A competitividade de uma fábrica depende dos componentes disponíveis, dos acordos comerciais e da capacidade de exportar. Alterações regulatórias podem mudar a origem de peças mesmo sem modificar o veículo.
Para fornecedores, a incerteza dificulta decisões de capacidade. Uma empresa precisa saber se seu componente continuará atendendo aos critérios exigidos pelas montadoras. Caso contrário, poderá perder contratos mesmo oferecendo preço, qualidade e prazo compatíveis, porque o conteúdo deixará de contribuir para o enquadramento regional do produto.
A definição europeia mostrará como políticas de proteção podem fortalecer uma região ou fragmentar uma cadeia existente. O resultado dependerá do tratamento concedido aos parceiros externos, dos requisitos aplicados aos componentes e da capacidade das fabricantes de reorganizar seus fornecedores sem elevar custos ou interromper a produção.







