A Toyota do Brasil ampliará sua estrutura de pesquisa em Sorocaba, no interior de São Paulo, com um centro dedicado ao desenvolvimento de tecnologias para biocombustíveis. O projeto contará com financiamento de R$ 123,6 milhões do BNDES e terá atividades relacionadas principalmente aos sistemas híbridos flex desenvolvidos no país.

Financiamento de R$ 123,6 milhões levará laboratório e pista de testes ao interior paulista

Foto: Toyota

O investimento será direcionado à compra de equipamentos, construção de laboratório e implantação de uma pista destinada às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A estrutura permitirá ampliar trabalhos de calibração, validação, testes funcionais e desenvolvimento de soluções embarcadas, aproximando essas etapas das operações brasileiras da fabricante.

O projeto coloca a combinação entre eletrificação e etanol no centro das pesquisas realizadas no Brasil. Essa arquitetura utiliza a experiência acumulada pela indústria nacional com motores flex e acrescenta sistemas elétricos à propulsão, permitindo investigar eficiência energética, emissões e diferentes estratégias de utilização dos dois tipos de energia.

A escolha de Sorocaba também aumenta a participação da engenharia instalada no país no desenvolvimento dos sistemas. Em vez de limitar a operação brasileira às etapas de fabricação e comercialização, a estrutura cria condições para que testes, calibrações e validações sejam executados localmente durante o desenvolvimento de novas aplicações.

Os recursos serão disponibilizados pelo programa BNDES Mais Inovação. O projeto foi selecionado dentro de iniciativa conjunta do banco com a Finep destinada à implantação e expansão de centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil, incluindo projetos capazes de gerar conhecimento e competências industriais no território nacional.

Toyota amplia pesquisa de híbridos flex com centro em Sorocaba

Outra consequência envolve fornecedores de componentes, equipamentos e serviços relacionados às pesquisas. A realização das atividades no Brasil pode ampliar a participação de empresas locais nos projetos, porque o processo depende de insumos, instrumentação, sistemas de medição e soluções específicas para validar motores, baterias, controles eletrônicos e software.

A iniciativa também ocorre enquanto diferentes rotas de descarbonização disputam espaço na indústria automobilística. O Brasil reúne produção de etanol, frota flex e cadeia automotiva instalada, características que permitem investigar sistemas nos quais o combustível renovável convive com motores elétricos sem depender exclusivamente da propulsão a bateria.

Com o novo centro, a pesquisa sobre biocombustíveis passa a ocupar uma estrutura dedicada dentro da operação brasileira da Toyota. O resultado poderá ser acompanhado não apenas pelos produtos da fabricante, mas pelo espaço que a engenharia nacional ocupará na definição das tecnologias de propulsão aplicadas aos próximos ciclos da indústria.