A Uber começou a cobrar motoristas por corridas enviadas pelo aplicativo mesmo quando eles decidem não aceitar as viagens. A chamada taxa de despacho está sendo testada em Malmö, na Suécia, e Basileia, na Suíça, com o objetivo de priorizar condutores próximos dos passageiros e reduzir o período até o embarque.
Taxa de despacho é aplicada enquanto condutor permanece conectado à plataforma

“Os dados indicam que a experiência inicial do usuário define o sucesso da corrida. Pequenas variações de segundos podem determinar se um passageiro cancela ou permanece, o que impacta diretamente a satisfação e a receita da plataforma”, diz Vinícius Guahy, coordenador de conteúdo e comunidade da Machine, ao analisar os motivos relacionados às desistências.
Em Malmö, cada chamada recebida custa 2 coroas suecas ao motorista, aproximadamente R$ 1,03. Na Basileia, o valor é de 0,30 franco suíço, cerca de R$ 1,88. A cobrança ocorre enquanto o condutor está conectado. A Uber orienta quem não estiver disponível para trabalhar a permanecer offline, situação em que a taxa não é aplicada.
A medida modifica a relação do motorista com as solicitações apresentadas pelo aplicativo. Antes, permanecer online permitia avaliar cada oportunidade sem que a recusa representasse um custo direto. No modelo em teste, a disponibilidade passa a envolver uma cobrança por chamada, independentemente da decisão posterior de realizar a viagem.
A questão está relacionada ao tempo que passageiros aguardam pelo atendimento. Levantamento da Machine aponta que 48,09% dos cancelamentos são relacionados à espera. Mudanças de planos representam 18,8% das desistências, enquanto situações nas quais o motorista não aparece correspondem a 4,92%. A concentração dos cancelamentos ocorre principalmente entre um e quatro minutos após a solicitação.
Uber testa cobrança por corridas recusadas por motoristas
Os dados não demonstram, porém, que a cobrança conseguirá reduzir as desistências. A taxa funciona como um mecanismo para incentivar que motoristas permaneçam conectados quando estiverem dispostos a aceitar viagens, alterando a dinâmica entre oferta de condutores e solicitações feitas pelos passageiros.
A aplicação financeira também varia entre as duas cidades. Em Malmö, a Uber informa que devolverá aos motoristas os valores arrecadados com a taxa, distribuindo os recursos conforme as corridas concluídas. Na Basileia, não haverá restituição. Como contrapartida, a comissão cobrada pela plataforma nas categorias UberX e UberXL cairá de 25% para 23%.
Ainda não existe indicação de adoção desse modelo no Brasil. Caso uma política semelhante seja implementada futuramente no mercado nacional, a discussão envolverá não apenas o valor da cobrança, mas também a mudança na relação entre disponibilidade e remuneração do motorista. O teste europeu passa, portanto, a colocar preço sobre uma etapa anterior à própria realização da corrida.






