A Ford lançou o Corcel no Brasil em setembro de 1968 após assumir um projeto iniciado pela Willys-Overland. O automóvel chegou primeiro como sedã de quatro portas e reuniu engenharia de origem Renault com desenvolvimento realizado no País, estabelecendo uma família posteriormente ampliada com diferentes carrocerias.

Modelo produzido entre 1968 e 1986 originou Belina, Del Rey e Pampa

Foto: Pexels-Ana Frontzek

A Willys trabalhava no Projeto M em cooperação com a Renault quando a Ford adquiriu suas operações brasileiras em 1967. O programa estava relacionado ao Renault 12, que ainda não havia sido apresentado. A nova controladora concluiu o desenvolvimento e adotou o nome Corcel.

A primeira versão utilizava motor de 1,3 litro, tração dianteira e suspensão independente. Essas características diferenciavam o modelo de outros automóveis nacionais daquele período. Problemas iniciais levaram a empresa a convocar proprietários para reparos, em uma operação reconhecida entre os primeiros recalls realizados no Brasil.

A carroceria cupê chegou em 1969 e a perua Belina apareceu em 1970. As duas derivações ampliaram o alcance da plataforma. A versão GT utilizou alterações de acabamento, instrumentação e motor para ocupar outra posição dentro da linha oferecida pela Ford.

O Corcel II foi apresentado em 1977 com mudanças de carroceria e aproveitamento da base mecânica existente. O projeto recebeu evoluções de motor, transmissão e acabamento ao longo dos anos. A reorganização permitiu prolongar a utilização industrial de componentes e ferramentas já instalados na fábrica.

Ford Corcel nasceu de projeto da Willys e ganhou identidade brasileira

A plataforma também originou o Del Rey, apresentado em 1981, e a picape Pampa, lançada no ano seguinte. Embora utilizassem posicionamentos e carrocerias diferentes, esses veículos preservaram elementos técnicos da família, demonstrando como uma arquitetura pode atender segmentos distintos durante vários ciclos comerciais.

A produção do Corcel terminou em 1986, enquanto Del Rey e Pampa permaneceram na linha por outros períodos. A trajetória acompanhou a consolidação da Ford no mercado nacional e conectou conhecimentos da Willys, engenharia francesa e decisões tomadas depois da aquisição da empresa.

A história do Corcel mostra que modelos associados a uma marca podem nascer de projetos iniciados por outra companhia. O veículo adquiriu identidade brasileira por meio da produção, das derivações e das adaptações realizadas durante 18 anos nas fábricas e estradas do País.