A Hyundai desenvolverá internamente um sistema de assistência ao motorista previsto para chegar aos veículos em 2029. O projeto procura ampliar o domínio da fabricante sobre software, sensores, processamento e atualização das funções utilizadas durante a condução.

Tecnologia prevista para 2029 ampliará controle da fabricante sobre dados e software

Foto: Pexels-Erik Mclean

A decisão ocorre enquanto montadoras reorganizam a relação com fornecedores de câmeras, radares, processadores e programas. Desenvolver uma plataforma própria permite coordenar componentes, interface e calibração, mas exige equipes capazes de validar milhões de situações encontradas em estradas, cidades, estacionamentos e diferentes condições meteorológicas.

Sistemas de assistência podem controlar velocidade, distância, permanência na faixa e determinadas manobras. Essas funções não transformam automaticamente o automóvel em veículo autônomo. O condutor continua responsável por acompanhar a circulação, manter atenção e assumir os comandos sempre que as condições ultrapassarem os limites operacionais.

O desenvolvimento envolve coleta de dados e simulações destinadas a reproduzir situações de risco. Pedestres, motociclistas, bicicletas, obras, veículos parados e sinalização temporária exigem reconhecimento. A eficiência depende da combinação entre sensores, mapas, capacidade de processamento e regras utilizadas para definir a resposta do automóvel.

A Hyundai poderá integrar a tecnologia a diferentes marcas e plataformas do grupo. Uma arquitetura compartilhada reduz duplicações, embora cada veículo necessite de calibração relacionada a dimensões, peso, freios, direção e campo de visão. Mercados distintos também apresentam legislação, sinalização e comportamento viário próprios.

Hyundai prepara sistema próprio de assistência ao motorista

No Brasil, sistemas avançados encontram situações que incluem faixas apagadas, pavimentos irregulares, motocicletas circulando entre automóveis e mudanças na sinalização. A validação local será necessária para determinar quais funções poderão operar e quais alertas precisarão ser ajustados às condições encontradas nas cidades e rodovias nacionais.

A reparação representa outra etapa. Uma colisão ou substituição de para-brisa pode exigir recalibração de câmeras e radares. Oficinas precisam conhecer tolerâncias, equipamentos e procedimentos. Um sensor instalado fora da posição especificada pode produzir informações incorretas, mesmo quando não existe mensagem de falha no painel.

O projeto previsto para 2029 mostra que software e segurança passaram a participar do planejamento industrial com antecedência semelhante à dos motores e plataformas. O resultado dependerá da capacidade de combinar desenvolvimento próprio, fornecedores, testes e atualizações sem transferir ao motorista responsabilidades que pertencem ao sistema.