A indústria automotiva europeia prepara mudanças para incorporar pelo menos 25% de plástico reciclado nos veículos novos a partir de 2031. A proposta regulatória determina que uma parcela desse material venha de automóveis descartados, criando demanda por coleta, separação e reaproveitamento dentro da própria cadeia.

União Europeia estabelece conteúdo mínimo e amplia responsabilidade da cadeia

Foto: Stijn Dijkstra

Atualmente, menos de 2,5% do plástico retirado de veículos no final da utilização retorna a novos automóveis. Parte é destinada a aplicações com requisitos menores, recuperação energética ou descarte. Misturas de polímeros, tintas, fibras e contaminantes dificultam a produção de material com desempenho técnico previsível.

O Global Impact Coalition conduziu um projeto com empresas químicas e de tratamento de resíduos para avaliar reciclagem mecânica e química. Os testes indicaram possibilidades técnicas, mas identificaram obstáculos relacionados a custo, pureza, rastreabilidade e escala suficiente para abastecer linhas de produção automotiva.

A reciclagem mecânica separa, tritura e reprocessa peças, preservando parte da estrutura do polímero. A rota química transforma o plástico em matérias-primas que podem gerar novos materiais. Cada processo apresenta consumo de energia, custo e capacidade diferente para retirar impurezas acumuladas durante a utilização.

Fabricantes também precisarão projetar veículos pensando na desmontagem. Fixadores, adesivos, revestimentos e combinações de materiais interferem na separação. Uma peça desenvolvida para ser removida e identificada pode reduzir o tempo necessário no centro de reciclagem e aumentar a quantidade recuperada.

Reciclagem de plásticos muda projeto dos próximos veículos

Passaportes digitais poderão registrar composição, origem e localização dos materiais. Essas informações ajudam desmontadores a identificar peças e orientam recicladores sobre o processo adequado. O sistema exige padrões compartilhados e acesso aos dados durante um período que pode superar uma década após a produção.

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece responsabilidades sobre produtos descartados, mas a reciclagem automotiva permanece distribuída entre diferentes agentes. Desmontagem regulamentada, identificação de materiais e demanda industrial são condições para transformar plásticos retirados de veículos em matéria-prima para novos componentes.

A meta europeia poderá alcançar fornecedores brasileiros que exportam componentes ou atendem montadoras globais. Empresas precisarão informar conteúdo reciclado e origem dos materiais. A mudança transforma o descarte em requisito de engenharia e conecta projeto, produção, reparação e desmontagem dentro do mesmo ciclo industrial.