O mercado brasileiro de reposição de autopeças para caminhões e ônibus cresceu 5,9% em julho, mas acumulou retração de 0,9% no ano. Os dados mostram uma recuperação mensal que ainda não compensou o desempenho anterior, em um setor condicionado pela atividade econômica e pelo transporte de cargas.

Avanço mensal não compensa retração acumulada em peças para caminhões e ônibus

Foto: Pexels-Gustavo Fring

A reposição depende da utilização dos veículos, da idade da frota e das decisões dos transportadores sobre manutenção. Caminhões que percorrem distâncias maiores consomem pneus, filtros, freios, componentes de suspensão e peças do sistema de transmissão em intervalos determinados pela carga, pelas estradas e pela condução.

Juros e restrições ao crédito também influenciam o segmento. Quando empresas adiam a compra de veículos, unidades antigas permanecem em operação e podem gerar demanda por manutenção. Entretanto, transportadores com fluxo de caixa limitado também postergam serviços e substituem somente componentes considerados necessários para manter o caminhão circulando.

Os ônibus seguem uma dinâmica diferente porque parte da frota trabalha em contratos públicos ou operações de fretamento. Tarifas, repasses, volume de passageiros e exigências contratuais determinam a disponibilidade de recursos para manutenção, enquanto veículos escolares e rodoviários apresentam ciclos próprios de utilização e aquisição de peças.

Distribuidores precisam manter estoque para diferentes gerações de motores, transmissões e chassis. A variedade aumenta quando a frota reúne veículos importados, modelos fora de produção e configurações destinadas a operações específicas. Catálogos incompletos ou peças indisponíveis ampliam o período de imobilização nas oficinas.

Reposição para veículos pesados cresce, mas ano segue em queda

A digitalização ajuda empresas a acompanhar o desgaste e programar intervenções antes da falha. Sistemas de telemetria registram quilometragem, consumo, temperatura, frenagens e códigos eletrônicos. Esses dados permitem organizar a compra de componentes e realizar serviços durante intervalos previstos na programação logística.

A eletrificação acrescentará novas categorias ao mercado de reposição. Caminhões e ônibus elétricos reduzem itens ligados ao motor a combustão, mas utilizam sistemas térmicos, módulos eletrônicos, baterias e circuitos de alta tensão. A mudança exigirá formação técnica e ferramentas diferentes das empregadas nas oficinas convencionais.

O desempenho dos próximos meses mostrará se o crescimento mensal representa uma recuperação ou apenas reposição de compras adiadas. Para fabricantes e distribuidores, o desafio será equilibrar disponibilidade e estoque enquanto transportadores administram crédito, custo do diesel e necessidade de manter a frota em operação.