A Ford desenvolveu a Pampa no Brasil a partir da segunda geração do Corcel e apresentou a picape em 1982. O projeto ampliou o entre-eixos, modificou a suspensão traseira e criou uma caçamba destinada a transportar até 600 quilos, preservando elementos da cabine utilizada pelo automóvel.

Picape produzida durante 15 anos combinou caçamba, tração 4×4 e uso cotidiano

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A Pampa integrou uma família formada pelo Corcel e pela perua Belina. Sua dianteira mantinha relação visual com o Corcel II, enquanto a caçamba recebeu inspiração da F-100. O piso utilizava ripas de madeira para proteção, solução associada às picapes de trabalho daquele período.

A distância entre-eixos aumentou de 2,44 para 2,58 metros, alteração necessária para acomodar a caçamba. Na traseira, a Ford substituiu as molas helicoidais por feixes semielípticos e adotou eixo rígido. A configuração priorizava capacidade de carga e resistência em relação ao comportamento do automóvel original.

O motor CHT 1.6 equipou as primeiras versões, combinado posteriormente ao câmbio de cinco marchas. A oferta acompanhava versões a gasolina e etanol. Ao longo da produção, a picape também recebeu o motor 1.8 da família AP, resultado do compartilhamento desenvolvido durante o período da Autolatina.

Em 1984, a Pampa tornou-se a primeira picape pequena brasileira oferecida com tração 4×4. O sistema mantinha a tração dianteira no uso normal e permitia acionar o eixo traseiro temporariamente. A fabricante limitava sua utilização a situações de menor aderência e velocidades reduzidas.

Ford Pampa levou a base do Corcel para o trabalho pesado

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A configuração 4×4 utilizava câmbio de quatro marchas e, na versão movida a etanol, recebia tanque adicional. A proposta atendia estradas de terra, propriedades rurais e serviços que exigiam mais capacidade de transposição, embora não transformasse o veículo em um utilitário destinado ao uso fora de estrada contínuo.

Durante os anos seguintes, a linha recebeu versões L, GL, Ghia e S, com diferentes níveis de acabamento. Direção hidráulica, comandos elétricos, bancos individuais e janela traseira corrediça apareceram conforme a configuração. O motor 1.8 recebeu injeção eletrônica no período final de produção.

A Ford encerrou a fabricação da Pampa em 1997, depois de mais de 380 mil unidades comercializadas. A Courier ocupou posteriormente o espaço das picapes compactas da marca. A Pampa permaneceu como registro de uma solução brasileira que transformou um automóvel familiar em veículo destinado ao trabalho.