A Nissan utiliza inteligência artificial em 30 projetos no Complexo Industrial de Resende, no Rio de Janeiro, onde produz Kait e Kicks. Vinte aplicações já funcionam e outras dez estão em implementação, alcançando inspeção, consumo energético, abastecimento da linha e treinamento dos trabalhadores.
Tecnologia brasileira controla qualidade, energia, treinamento e fluxo de materiais

Parte das soluções foi desenvolvida por equipes brasileiras e passou a ser utilizada também em fábricas da Nissan no México e nos Estados Unidos. O movimento transforma Resende em uma origem de tecnologia industrial, além de manter sua função tradicional na fabricação de veículos e motores.
Robôs equipados com câmeras inspecionam a carroceria e procuram diferenças capazes de indicar falhas. Outros sistemas verificam se rodas e pneus correspondem à configuração prevista para cada veículo. A análise automatizada compara imagens e dados sem eliminar a validação dos profissionais responsáveis.
A fábrica também utiliza inteligência artificial no gerenciamento de energia e no acompanhamento da cadeia de suprimentos. Esses sistemas procuram identificar padrões, antecipar desvios e organizar informações. O resultado depende da qualidade dos dados coletados e da definição dos parâmetros usados para cada decisão.
Um ambiente virtual reproduz atividades da fábrica para treinar trabalhadores antes da execução na linha. O recurso permite praticar sequências, reconhecer riscos e avaliar movimentos sem interferir na produção. A simulação também ajuda a preparar profissionais quando novos processos ou modelos são incorporados.
Inteligência artificial já ocupa 30 projetos na fábrica da Nissan

O complexo reúne mais de cem robôs e duzentos veículos guiados automaticamente, conhecidos como AGVs. Esses equipamentos transportam componentes e carrocerias entre áreas da unidade. A inteligência aplicada ao fluxo procura reduzir esperas e garantir que cada peça chegue ao ponto correto da montagem.
A automação altera funções, mas não retira a necessidade de conhecimento humano. Trabalhadores precisam interpretar alertas, corrigir causas e confirmar se o sistema classificou corretamente determinada condição. Sem esse acompanhamento, uma falha no dado pode ser repetida em diferentes etapas da produção.
Os projetos de Resende mostram que a inteligência artificial automotiva não está somente dentro dos veículos. Ela já organiza a fábrica que os produz. A vantagem industrial dependerá da capacidade de transformar testes em aplicações permanentes, mensurar resultados e proteger os sistemas contra acessos indevidos.







